2018-04-17

Primavera com Azul


Gostei noutro dia (já foi em 7/Abr!) de ver o céu azul, depois duma série grande de dias de chuva com céu quase sempre cinzento.



Por coincidência acabo de ver uma série de 3 programas magníficos (isto é quase um pleonasmo) da BBC, referidos no Expresso diário, apresentados por James Fox, intitulada A History of Art in Three Colours, Gold, Blue, White.

No programa sobre o uso do ouro na arte fui agradavelmente surpreendido pela classificação da deposição electrolítica de uma finíssima camada de ouro sobre variados metais como uma espécie de conclusão do sonho alquimista de transformar qualquer metal em ouro.

No programa sobre o azul revisitei o maravilhoso "azul ultramarino" tonalidade que existia nos guaches Pelikan da minha infância e que não tinha comparação com o azul disponível nos guaches azuis da marca Cisne.

A designação de "azul ultramarino" devia-se à sua proveniência, pedras de lápis-lazuli do longínquo Afeganistão, que chegavam a Veneza depois duma viagem por terra e de atravessar o mar Mediterrâneo. Este pigmento chegou a ser mais caro do que o ouro.

Depois deste programa reconciliei-me com o quadro "Blue Monochrome" do Yves Klein, que fotografei em tempos no MoMA em Nova Iorque, e do qual embora gostasse muito da cor, achava duma simplicidade excessiva. Deixo aqui a foto que então tirei






2018-04-08

As imagens do embaixador



Sou um leitor sistemático do blogue “Duas ou três coisas” do embaixador Francisco Seixas da Costa, pessoa muito bem informada e sensata e que manifesta as suas opiniões de forma diplomática se bem que firme e com a necessária clareza.

De uma forma geral os textos são a “pièce de resistance” mas as imagens que os acompanham, os “acompanhamentos” têm também uma enorme qualidade. No seu papel de acompanhantes as imagens não podem aqui assumir o papel principal e, provavelmente por isso, a sua dimensão é menor do que noutros blogues em que elas são o actor principal mas não me canso de apreciar o “ambiente” que elas transportam ou evocam.

Há bastante tempo (já lá vão 6 anos!) guardei a imagem deste post em que se descrevia uma conversa entre dois funcionários séniores do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Achei que essa imagem, que reproduzo aqui ao lado, ilustrava de uma forma perfeita um ambiente onde a conversa poderia ter ocorrido.

Tentei descobrir  porque achava a imagem tão adequada e anotei o tecido monocromático de tom quente com riscas dadas por duas texturas, uma baça outra acetinada, o estofo acetinado de riscas verticais a duas cores das costas da cadeira de madeira decorada com uns elementos metálicos dourados, a moldura barroca de talha dourada do espelho do tempo em que os espelhos eram objectos caros, tudo isto compunha o que se poderia chamar o “charme discreto da diplomacia”.

Gostei também muito do enquadramento dando a ver os elementos que referi, os necessários e suficientes para evocar o ambiente.



Muito mais recentemente (27Mar/2018) a propósito do incidente do envenenamento em solo britânico dum ex-espião russo e sua filha, o embaixador seleccionou esta magnífica imagem da igreja de S.Basílio em Moscovo num post intitulado “Diplomatas & Russos”.



Gostei muito do céu vermelho da imagem, lembrou-me os tempos em que se dizia que "O vento é de Leste e o horizonte é vermelho!".

Mas ainda achei mais graça ao nome do ficheiro deste elemento importante da Praça Vermelha em Moscovo pois chamaram-lhe “Red Square.jpg”, o nome em inglês da Praça referida mas também da forma da fotografia que é praticamente quadrada e de tons avermelhados:


2018-04-02

Contabilidade, capitalização da CGD


Ficámos agora a saber que embora o ministro das finanças Mário Centeno afirme que a Comissão Europeia, seguindo os Tratados da União Europeia, considerou que o capital que o Estado Português aplicou na CGD em 2017 se tratou de um investimento e não de  uma ajuda estatal, não devendo portanto ser integrado no déficit, o Eurostat entendeu de forma diferente.

Lembrei-me dos elogios rasgados que o Lobo Xavier fez na Quadratura do Círculo à proeza extraordinária de António Domingues, CEO da CGD, quando conseguiu que a recapitalização da CGD não fosse considerada no déficit. Afinal, talvez não tenha conseguido. E embora o ministro Centeno afirme em entravista ao jornal Expresso de 2018-03-30 que foi pura coincidência obter um déficit umas centésimas abaixo dos 3% do PIB quando a capitalização da CGD foi nele integrada (evitando assim a abertura de um processo por déficit excessivo) em vez dos 0,9% sem integração, tenho grande dificuldade em aceitar isso como coincidência.

Talvez seja uma inevitabilidade do discurso, lembrei-me do Valéry Giscard d’Estaing quando disse a um jornalista que na véspera duma mudança cambial é obrigação do ministro das finanças desmentir a iminência dessa manobra, que ele tinha feito um desmentido como era sua obrigação e que se no futuro lhe fizessem a mesma pergunta ele sempre a desmentiria, qualquer que fosse a situação.

Quanto melhor vou conhecendo as regras aplicadas na Contabilidade mais aumenta a minha antipatia por essa prática, cuja dificuldade e utilidade reconheço contudo. Já o senhor de La Palisse diria que se a Contabilidade não fosse tão difícil e tão útil, ninguém aceitaria os conjuntos de regras tão contraditórias e tantas vezes tão absurdas que são prática comum nessa actividade humana.

Foi por isso que me dei ao trabalho de traduzir este texto do Geert Hofstede que transcrevi da página 156 do livro “Cultures and Organizations”, livro que já referi neste post (https://imagenscomtexto.blogspot.pt/2016/06/cultures-and-organizations_23.html ).

«
This explains the lack of consensus across different countries on what represents proper accounting methods. For the United States these are collected in the accountant’s Holy Book, called the GAAP Guide: Generally Accepted Accounting Principles. Being “generally accepted” is precisely what makes a ritual a ritual. It does not need any other justification. Once you have agreed on the ritual, a lot of problems become technical again: how to perform the ritual most effectively. Phenomenologically, accounting practice has a lot in common with religious practice (which also serves as an aid to uncertainty avoidance). Cleverley (1971) saw accountants as “priests” of business. Sometimes we find explicit links between religious  and accounting rules, such as in Islam, in the Koranic ban on calculating interest.
»

e a tradução:

«
Isto explica a falta de consenso entre diversos países sobre o que são métodos contabilísticos adequados. Para os Estados Unidos estão coligidos no livro sagrado dos contabilistas, intitulado “Princípios Contabilísticos Geralmente Aceites”. Ser “geralmente aceite” é precisamaente o que faz dum ritual um ritual. Não é necessária mais nenhuma justificação. Desde que se concorde com um ritual, muitos problemas voltam a ser de natureza técnica: como executar o ritual da forma mais eficaz. Fenomenologicamente, a prática contabilística tem muito em comum com a prática religiosa (que também serve como uma ajuda para evitar a incerteza). Cleverley (1971) viu os contabilistas como “sacerdotes” dos negócios. Por vezes encontram-se ligações explícitas entre regras religiosas e contabilísticas, tais como no Islão, na proibição corânica de aplicar juros.
»


Este texto pode também ser encontrado nesta porção mais completa de algumas páginas do Google Books que apresento na forma de imagem a seguir:




Esta independência do Eurostat deve fazer parte dos “checks and balances” da União Europeia, para evitar soluções totalitárias que, além de tão pouco conseguirem evitar conjuntos de regras sem contradições, têm outras características muito nefastas.


2018-03-24

Imagem de tribunal chinês


Tirei esta foto na casa duma pessoa amiga (estava por  trás dum vidro e ficou com alguns reflexos)


e interroguei-me se seria uma cena dalgum tribunal. Entretanto fiquei a pensar porque é  que pensei que a cena poderia ser dum tribunal.

Será por ter um homem acima de todos os outros? Depois existem dois homens talvez de joelhos face ao que está em cima e 8 homens em pé olhando para os que estão de joelhos.

A simetria perfeita quanto à disposição dos chapéus dos homens em pé faz pensar que são membros de uma instituição, ajudantes da  figura central.

Andei à procura de imagem semelhante directamente através do Google images sem sucesso imediato, apenas conseguiu caracterizar a imagem que mostrei como uma pintura (painting).

Prossegui a busca e encontrei as imagens "Tribunal_China_1 a _3 que dão a ideia que a "presunção de inocência" deve ser uma aquisição relativamente recente, quer no Ocidente quer na China, pois parece que os réus já só pedem clemência, a absolvição parece bastante afastada.


Tribunal_China_1, imagem encontrada aqui


Tribunal_China_2, imagem encontrada aqui

Tribunal_China_3

Estas imagens são perspectivas provavelmente ocidentais dos tribunais chineses de outras épocas e não sendo certificadas como boas representações do que se passava parecem-me contudo certificar que a primeira imagem que mostrei neste post se trata efectivamente dum tribunal chinês.

Entretanto continuei a busca na internet e vi umas figuras com um estilo parecido (donde concluo que a datação por estilo tem a sua razão de existir embora minorando a tão citada criatividade artística que nem sempre será tão criativa assim) que chamavam Pith Paper Paintings e que podem ser vistas aqui.

Estas "Pith paintings" são da dinastia Qing (Manchu) li que as obras antigas deste tipo são mais frequentemente datadas da segunda metade do século XIX. Neste artigo contudo referem 1830-1840 como o período mais activo da produção destas pinturas.

Depois vi uma cena que me fez dizer "Eureka!" (não literalmente porque o meu grego clássico não dá para tanto) ao descobrir a imagem,

 Tribunal_China_4


pintura interessantíssima pois representa o mesmo tema da primeira figura deste post mas com pequenas variantes. Continua a parecer um tribunal, um pouco mais austero. Existem 4 figuras na direita e na esquerda e em ambas as imagens os chapéus usados gozam de simetria, devem ser os "braços esquerdo e direito" do juiz.


Mostro também snapshot do ebay (Antique chinese painting on rice paper pith paper finely detailed figures 3/7 | eBay ) onde a Tribunal_China_4 está à venda por 575£ mais uns portes.



Para finalizar refiro um artigo dos Kew Gardens onde dizem como conservar estas pinturas



 
sobre um suporte muito delicado: "Instead of being made from plant fibres matted together, as with traditional paper, the soft white support is a thin slice of the stem of the Tetrapanax papyrifer plant."

E da Royal Horticultural Society informação e uma foto da Tetrapanax papyrifer:







2018-03-22

Primavera 2018


Tirei esta foto no princípio de Maio de 2015 mas também é boa para comemorar a passagem do equinócio da Primavera de 2018.

Julgo que tirei esta foto no modo paisagem (largura maior do que a altura) mas por qualquer motivo guardei-a no modo retrato. Ou então tirei-a no modo retrato a apontar para o chão.

Agora quando olho para ela em modo retrato parece-me que estou a olhar para uma parede coberta de vegetação mas as inflorescências, em forma de esferas de cores branca e violeta que devem ser de trevos, sugerem que se deve tratar de um chão.

Engraçado como a relação entre a largura e a altura de uma imagem nos pode levar a pensar que se trata de um plano horizontal ou vertical, quando se pode tratar apenas de um enquadramento ou de uma tomada de vista pouco habitual.



2018-03-17

Campo de flores no 10º aniversário


No dia 17 de Março de 2008 publiquei neste blog o primeiro post. Desde essa altura publiquei 1045 posts o que dá uma média de 0,28 posts/dia ou 1 post cada 3,5 dias ou mais simplesmente 2 posts por semana.

O blogue tem poucos comentários o que, considerando os comentários mais frequentes na net, não é necessariamente mau. Constato contudo nas estatísticas que o blogue continua tendo leitores. Além disso, gosto de passar a escrito alguns pensamentos que me vão ocorrendo e partilhar umas imagens que me aparecem, pelo que vou continuar esta actividade de bloguista.

Desta vez publico mais uma imagem de flores sobre um prado dos Olivais.




2018-03-13

Jardins rochosos na calçada de Lisboa


Hesitei bastante antes de publicar estas fotos sobre as humildes plantas que crescem nos pequenos interstícios entre as pedras que constituem a calçada dos passeios lisboetas, como esta que mostro a seguir, enriquecidas com uma tentativa (não 100% segura) do Paulo V. Araújo (PVA) de as identificar num comentário deste post

PVA: trevos, talvez o Trifolium tomentosum

Estas fotos foram tiradas entre Maio/2013 e Jun/2016 e o texto que vou escrevendo não representa uma  forma cínica de apresentar um eventual problema. Como julgo que a maior parte das pessoas eu achava que estas ervinhas representavam desleixo na manutenção dos passeios.

PVA: foto é de um Lotus

Contudo ultimamente tenho gostado de ver a pujança como brotam estas plantas, em qualquer altura do ano, mas sobretudo na Primavera que em Lisboa costuma chegar um bocadinho antes do equinócio

Lembro-me de quando andava no IST estarem frequentemente umas jardineiras com umas pequenas ferramentas manuais a arrancar ervinhas do gigantesco empedrado


existente entre a escadaria no topo da Alameda D.Afonso Henriques e o pavilhão central do Instituto, mostrado acima numa vista geral e a seguir com mais detalhe


Uma pessoa a andar no empedrado apercebia-se com mais facilidade das imperfeições existentes do que destes interessantes padrões geométricos que terão sido  percepcionados pelos projectistas nos desenhos sobre estirador do projecto e agora finalmente com o Google Earth e os drones cada vez mais banais.

Agora que penso um pouco mais neste tema julgo que o problema reside na falta de frequência de pisoteio na  calçada em questão, o empedrado tem uma função monumental, tendo uma largura desajustada em relação ao número de pessoas que por ali passa, fazendo com que as jardineiras tenham um autêntico trabalho de Sísifo, quando acabam de limpar o terraço já outras ervinhas despontam na zona por onde começaram a arrancá-las.

PVA: foto parece ser de uma avoadinha (género Conyza)

Estas plantas que julgo ter fotografado nos passeios dos Olivais devem também em parte o seu desenvolvimento à pequena frequência com que passam pessoas pelos passeios.

Uma vez em Copenhague vi um jardineiro com um pequeno lança-chamas às costas que ia queimando as ervinhas no passeio por onde passava

PVA: Leontodon taraxacoides

Ao princípio pareceu-me um método muito eficaz e bastante melhor do que as ferramentas usadas no IST mas constatei que ao aproximar-se duma paliçada de madeira o homem quase que provocava um incêndio, mostrando os riscos do método. De qualquer forma seria uma pena queimar qualquer uma das plantinhas que estou mostrando

PVA: Erodium moschatum

Como as pedras da calçada têm dimensões parecidas, o diferente tamanho das pedras nas várias imagens que estou a mostrar sinalizam que as escalas das imagens são diferentes.

PVA: trevos

Para finalizar mostro um conjunto de florinhas num canteiro mais rochoso que está fora da calçada

PVA: Crepis capillaris






2018-03-12

Olivais Rock garden


Há muitos anos numas férias de verão passei por Edinburgo onde visitei o maravilhoso "Royal Botanic Garden Edinburgh", onde vi pela primeira vez um "Rock Garden". Na entrada em inglês na Wikipédia constata-se que não existe uma entrada sobre o mesmo tema em língua portuguesa.

A Estufa Fria em Lisboa tem recantos que se poderiam condiderar Jardins Rochosos, neste blog a palavra "jardim" mostrou um número inacreditável de posts, onde destaco este Jardim rochoso natural à beira-mar.

Nos Olivais não tenho encontrado jardins rochosos tão vastos. Mas gostei deste bocadinho de muro que passo a mostrar




2018-03-08

Os Presidentes da República Popular da China


Ao longo do tempo vamos ouvindo falar em Portugal com bastante frequência dos presidentes e dos primeiro-ministros de diversos países designadamente dos nossos vizinhos europeus, dos Estados Unidos da América e da U.R.S.S e depois da Rússia, dos de língua oficial portuguesa, do Médio Oriente, da União Indiana e também da República Popular da China.

Dada a história turbulenta da China nos séculos XIX e XX conforme referi aqui a organização do país não se estabilizou em 1949, data da proclamação da República Popular da China por Mao Zedong.

Depois dum início de reconstrução dum país devastado por uma guerra civil longa e por invasões estrangeiras o país teve ainda que suportar a Revolução Cultural (1966-1976) que referi aqui.

Durante esse período o líder supremo do país continuou a ser Mao Zedong que lançou a Revolução Cultural para recuperar o poder que deixara de ser tão absoluto.

Não sei se nessa altura já existia a figura política de “Presidente da República Popular da China”, desde Jiang Zemin o Presidente acumula este cargo com o de secretário-geral do PCC (Partido Comunista Chinês) e com a chefia das forças armadas chinesas

Tenho mantido interesse no que se passa na China mas, dada a ausência de obrigações profissionais ou pessoais, mantenho-me um curioso do que se passa num país com 1/5 da população mundial e que foi a civilização mais avançada do planeta durante muitos séculos.

Num breve curso que frequentei de introdução à língua chinesa a professora emprestou um livro com os pensamentos do presidente Xi Jinping. Na altura dei uma vista de olhos pelo livro e gostei de duas páginas ao ponto de as fotografar para memória futura, talvez mesmo para as mostrar neste blogue o que passo a fazer



Nestas páginas o autor procura as razões de a ciência e a tecnologia chinesas se terem atrasado em relação às ocidentais na transição da dinastia Ming para a dinastia Qing, referindo por exemplo que um mapa encomendado pelo imperador chinês aos missionários jesuítas acabou fechado no palácio imperial, enquanto era publicado na Europa, “fazendo com que, durante um período relativamente longo, o Ocidente conhecesse a geografia da China melhor do que os próprios chineses”.

E continua dizendo que esta história “demonstra que a ciência e a tecnologia devem combinar-se com o desenvolvimento social”, não basta estudar é preciso remover entraves institucionais existentes para fazer uma “transição para um crescimento com inovação”, título aliás do capítulo onde estão estas páginas, num livro intitulado “A Governança da China”.

Andei à procura do livro na net e constatei que está disponível na Amazon.co.uk na versão em português do Brasil bem como na Amazon do Brasil. Curiosamente não consta na Wook

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Isto faz-me lembrar um artigo longo (cerca de 8000 palavras, 12 páginas A4) que li na revista New Yorker, “Making China Great Again”, com o subtítulo “As Donald Trump surrenders America’s global commitments, Xi Jinping is learning to pick up the pieces” pelo repórter Evan Osnos.

Nele se fala dos ambiciosos investimentos no exterior, numa altura em que os E.U.A se retraem. A China, além dos numerosos investimentos em África, onde vai buscar as matérias primas que antigamente se dirigiam às fábricas europeias e americanas, lançou o programa “One belt, one road initiative”, onde se falam de 6 caminhos terrestres e um marítimo, que provavelmente se bifurcará em 2 quando o Árctico estiver navegável a maior parte do ano.

Nele a certa altura encontrei este texto
«
Across Asia, there is wariness of China’s intentions. Under the Belt and Road Initiative, it has loaned so much money to its neighbors that critics liken the debt to a form of imperialism. When Sri Lanka couldn’t repay loans on a deepwater port, China took majority ownership of the project, stirring protests about interference in Sri Lanka’s sovereignty. China also has a reputation for taking punitive economic action when a smaller country offends its politics. After the Nobel Prize was awarded to the dissident Liu Xiaobo, China stopped trade talks with Norway for nearly seven years; during a territorial dispute with the Philippines, China cut off banana imports; in a dispute with South Korea, it restricted tourism and closed Korean discount stores.
»

em que achei curiosa a referência à China ter emprestado tanto dinheiro que os críticos associam as dívidas a uma forma de imperialismo. Por exemplo quando o Sri Lanka não conseguiu pagar as dívidas contraídas para um porto de águas profundas a China tomou posse da maior parte do projecto.

Não me parece que a China seja original nesta área. Todas as potências dominantes emprestaram em excesso a países imprudentes criando dependência. Em tempos mais remotos os credores obtinham concessões de exploração de riquezas minerais, como por exemplo o petróleo, para cobrarem as dívidas, depois passaram a convertê-los em protectorados, como por exemplo o Egipto, com o mesmo fim, ultimamente o FMI e a União Europeia pressionam os Estados devedores a privatizar as empresas públicas que normalmente são vendidas a companhias com sede fora do país devedor dado que os capitalistas deste país não têm capital suficiente para as adquirirem.

Lembro-me da última fatia da privatização da EDP em que houve desilusão de alguns alemães que estavam à espera que essa parte fosse comprada por uma companhia alemã quando acabou vendida à Three Gorges, uma companhia propriedade do Estado Chinês. Antigamente os potenciais compradores eram todos de países ocidentais ricos, agora também é preciso contar com os chineses, com os árabes do petróleo, com os indianos, etc.

Este post fez-me ir ver à Wikipedia os sucessivos presidentes da RPC que apresento na tabela a seguir

Nome
(Nasc.- Morte)
 Presidente (Start-End)
Xi Jinping
(1953- )
 (Mar2013-
Hu Jintao
(1942- )
 (Mar2003- Mar2013)
Jiang Zemin
(1926- )
 (Mar1993- Mar2003)
Yang Shangkun
(1907-1998)
 (Abr1988-Mar1993) Repressão Tiananmen em Jun1989
Li Xiannian
(1909-1992)
 (Jun1983-Abr1988)
Liu Shaoqi
(1898-1969)
 (1959-1968) Preso de 1967 até à morte
Mao Zedong
(1893-1976)
 (Set1954-Abr1959) Revolução Cultural 1966-1976

Deng Xiaoping (1904-1997), Chefe do CC do PCC (1982-1987), das Forças Armadas (1981-Nov1989), não foi presidente, tendo por isso ficado fora da tabela, mas foi a figura politicamente mais importante da R.P.C. após a morte de Mao.

Noto que os 3 últimos Xi Jinping, Hu Jintao e Jiang Zemin foram os mais citados nos media ocidentais, pessoalmente reconheço a imagem de Xi Jinping e de Jiang Zemin, curiosamente deste último ficou-me a memória de ter visitado os E.U.A.. Vi aqui a história das visitas de estado de personalidades chinesas aos E.U.A. enquanto aqui as visitas de presidentes americanos à R.P.C. .

A importância de Mao Zedong é óbvia, em 2009 um guia turístico chinês informou-nos que se considerava actualmente que 70% das acções de Mao foram positivas enquanto 30% teriam sido negativas. No entanto num artigo do Economist citado na Wikipédia aparece:
«
“Had Mao died in 1956, his achievements would have been immortal. Had he died in 1966, he would still have been a great man but flawed. But he died in 1976. Alas, what can one say?” That was how Chen Yun, for decades one of China's senior Communist leaders, tried to summarise the complex historical legacy of Mao Zedong.
»
Lembro-me de ter ouvido falar de Liu Shaoqi, como um renegado durante a Revolução Cultural, e como vítima uns anos depois. Dos 3º e o 4º presidentes não se ouviu falar muito, nessa altura a figura mais importante era Deng Xiaoping, que iniciou a política “um país dois sistemas” dando origem ao impressionante crescimento da ecomomia da R.P.C.

As primeiras grandes aquisições chinesas em Portugal foram:
- Three Gorges (companhia estatal da China) comprou 21,35% da EDP em Dez2011
- State Grid (companhia estatal da China) comprou 25% da REN em Mai2012
constatando-se na tabela acima que foram feitas durante a presidência de Hu Jintao, um presidente discreto.

Recentemente a instituição chinesa competente para essa decisão aboliu o limite de dois mandatos sucessivos para o cargo de presidente da R.P.C.

A força das sociedades altamente hierarquizadas como a chinesa reside na rapidez com que são executadas as boas decisões tomadas por líderes competentes. A sua fraqueza consiste na rapidez com que são executadas as más decisões tomadas por líderes incompetentes.

Considerando o enorme peso que representa a condução dum país com a China, esta decisão de prescindir da limitação de dois mandatos parece-me muito imprudente. Custa acreditar que o país não consiga encontrar um líder excelente a cada 10 anos, precisando de continuar a depender dum líder que vai envelhecendo.

2018-03-06

A tempestade Ema na Praia da Rocha


Vi estas imagems impressionantes do molhe da Praia da Rocha durante a tempestade Ema neste sítio onde tem mais fotos das ondas


O molhe da Praia da Rocha tem 800 metros de comprimento, costumo usá-lo como referência quando vejo percursos  a pé no Google Maps, género são só 1600 metros, é como ir ao fim do molhe e voltar.

Ao ver toda esta espuma branca fico a pensar no tamanho que deveriam ter as ondas para rebentarem tão longe.

Na seguinte a espuma tapou o farolim!






2018-03-05

A poluição causada pelos plásticos


O João André escreve sobre este tema tão actual, com argumentos muito plausíveis e razoáveis como é seu hábito, neste post do Delito de Opinião de que retirei a figura a seguir



2018-02-22

A propósito do conceito de país


Há uns anos frequentei na REN aulas de introdução à língua chinesa, entretanto a professora que era chinesa regressou ao seu país e soube em Maio/2017 que estava a dar aulas na Universidade de Wuhan, uma cidade com 10,6 milhões de habitantes (em 2015) e capital da província de Hubei.

No mapa administrativo da RPC (República Popular da China) que obtive na internet em Mar/2011 e que mostro a seguir vê-se a localização da província de Hubei, na mesma latitude de Xangai.


Na altura impressionou-me que uma cidade de que nunca ouvira falar tivesse uma população com um pouco mais de 10 milhões de pessoas, um número praticamente idêntico à população total de Portugal e fui ao Google Maps ver o mapa da Cidade


Como os limites do município de Wuhan estavam marcados no mapa desenhei um contorno verde no Power Point sobre os limites do município como se vê a seguir


depois obtive um mapa da região de Lisboa na mesma escala do mapa que mostrei da cidade de Wuhan


e sobre esse mapa de Lisboa coloquei o contorno verde do município de Wuhan que desenhara


Repito aqui o texto na caixa verde da figura:
«

Rectângulo tem 7.2 x 12 cm (valores no “Format Autoshape”), 1cm corresponde a 10 km, logo rectângulo tem área de 72 x 120km= 8640km2, valor parecido com a área indicada na Wikipédia (https://en.wikipedia.org/wiki/Wuhan ) de 8494km2.

Nesta área de Lisboa os limites urbanos de Wuhan conteriam cerca de 2 milhões de habitantes, 1/5 da população de Portugal que são 10.2 milhões, muito parecida à da cidade de Wuhan onde vivem, segundo a Wikipédia, 10.6 milhões
»


Constata-se assim a enorme ambiguidade do conceito de "país", uma palavra que se usa para designar Portugal, uma nação que constitui uma unidade política com 10 milhões de habitantes e exactamente a mesma palavra para designar a China uma nação que também constitui uma unidade política mas com 1300 milhões de habitantes, uma população duas ordens de grandeza maior do que a população de Portugal.

A professora informou-me ainda que Wuhan é uma cidade "imigrante", quer dizer há cada vez mais pessoas de outras províncias que vão para lá estudar e trabalhar. Por isso, o mandarim é sempre a língua dominante. Agora o governo de Wuhan quer captar duzentos mil licenciados graduados das universidades locais a trabalhar na própria cidade por ano.

2018-02-21

A dificuldade da imprensa económica


Não sou apreciador dos artigos do Prof. Daniel Bessa no suplemento de Economia do jornal Expresso mas, talvez por vir na primeira página desse suplemento e ser curto acabo por lê-lo com alguma frequência.

O professor normalmente critica e, dependendo da sua posição ideológica em relação aos temas e aos eventuais responsáveis, ou refere um aspecto da economia de Portugal, uma situação ou uma evolução positiva e afirma depois que poderia ter sido melhor, ou refere uma crítica a uma situação ou evolução negativa e afirma que não existia alternativa ou que poderia ter sido pior. Há aqui uma componente de “treinador de bancada” de pessoa que prefere comentar a fazer mas cada qual tem as suas preferências.

No artigo do passado sábado (17/Fev/2018) o professor começa por um discurso auto-referente alertando o leitor sobre os perigos que o espreitam neste tipo de publicações pois “têm um autor, quase sempre com interesse próprio”  como entre outras coisas por exemplo “...para votar num partido, admirar um gestor ou um político”. Trata-se portanto duma parágrafo análogo ao famoso paradoxo de Epiménides, um cretense que disse que todos os cretenses eram mentirosos. Neste caso o professor, autor do artigo num jornal de economia, avisa que nesses jornais os autores dão informação incompleta ou distorcida, com objectivos não declarados. Li portanto cautelosamente o resto do artigo, que mostro na imagem à direita, para verificar se a comunicação apresentada (já ciente que não se tratava de informação “pura”) estaria muito distorcida.

Sabe-se que as estatísticas se devem rodear de muitos cuidados pois os números são entidades que, embora permitam uma síntese potencialmente muito melhor do que a convicção inabalável de um Magister, não conseguem transmitir a totalidade do real. Por isso é prudente recorrer a mais do que um critério numérico para caracterizar uma situação.

No caso do crescimento económico em 2017, Portugal cresceu 2,7% enquanto o conjunto da UE (União Europeia) cresceu 2,3%. Desta informação conclui-se que:
- o crescimento de Portugal deu-se num contexto de crescimento da economia europeia;
- o crescimento de Portugal foi maior do que a média europeia;
- ocorreu portanto uma convergência da economia de Portugal com a Europa.

Consultando estatísticas anteriores pode-se ainda dizer que desde a nossa integração no euro é o primeiro ano em que convergimos com a UE e ainda que foi o maior crescimento da economia portuguesa “neste século”, o que, sendo verdade, é uma frase que parece publicidade, uma forma mais neutral seria “nas últimas duas décadas”.

Não me parece assim que, à parte a referência a um século que conta apenas 17 anos, a informação que “em 2017, Portugal cresceu 2,7% enquanto o conjunto da UE (União Europeia) cresceu 2,3%” possa ser considerado como “adornando o barco em determinado sentido”.

Não me pareceria mal que o autor referisse outros aspectos da economia portuguesa, tais como a dívida, o investimento, a diáspora que não regressa, o emprego, a despesa pública, a balança comercial, etc., pois a situação do país não pode ser caracterizada apenas pelo crescimento económico.

Contudo o professor foi buscar o conceito de “país”, particularmente desadequado como unidade de comparação de realidades económicas em que o país não possa ser considerado como uma realidade homogénea. Sabe-se que na maior parte dos países europeus existe bastante heterogeneidade entre as suas regiões e existem regiões dentro dos países grandes que são maiores do que países pequenos da UE.

Neste sítio do Eurostat mostram a população de cada país, estimada para o dia 1/Jan, de 2006 a 2017. Nessa tabela consta que em Jan/2017 na Alemanha viviam 82,8 milhões de pessoas, no Reino Unido 65,8, na França 67 e na Itália 60,6, somando estes 4 países uma população de 276,2 milhões de habitantes, mais de metade da população dos 28 estados membros que era então de 511,8 milhões. Adicionando a este valor a população da Grécia de 10,7, a da Bélgica de 11,4 e da Dinamarca de 5,7 milhões obtemos um conjunto total de 304 milhões de pessoas (59,3% da população da UE) que vivem em países cujo aumento médio do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017 foi inferior ao aumento observado em Portugal.

Não só esta comparação considerando a população dos países me parece significativa como a escolha de países como unidade para a comparação do indicador económico “crescimento anual do PIB em 2017” é uma forma enganadora de apresentar a realidade. Faz-me lembrar a boutade do Montenegro quando disse que Portugal estava economicamente melhor, os portugueses é que ainda não. Neste caso o jornal destaca em título que 19 países em 28 estão a crescer mais do que Portugal. E neste caso não diz que 60% da população da UE vive em países cujo crescimento foi inferior ao que se verificou em Portugal.

Bem avisou o professor que era preciso ler com cuidado os artigos dos jornais de economia. Este é mais um exemplo dum texto que tenta enganar o leitor se bem que com aviso prévio.

2018-02-17

O Nirvana como um caminho


Normalmente o Nirvana é considerado como um objectivo, um destino final, de ausência de desejo.

É estranho desejar-se a ausência de desejo e deve ser por isso que é difícil atingir o Nirvana. Julgo que um dos treinos é a meditação oriental em que se tenta esvaziar a mente de preocupações e tenta não se pensar em  nada, o que também costuma ser uma contradição nos termos.

Pessoalmente gosto de ter a mente ocupada e detesto estar em filas de espera, muito mal em pé, mas também mal sentado, caso não tenha um livro ou algum computador portátil para me distrair.

Mas existem dispositivos materiais, concebidos por ocidentais como neste caso seria de esperar, que nos ajudam a esvaziar a mente e rapidamente (para espíritos menos agitados) entrar em sono profundo. Trata-se desta cadeira concebida no atelier Le Corbusier por Charlotte Perriand


que já referi no post intitulado "Um caminho para o Nirvana" e da qual me lembrei ao ler um artigo da BBC referido como "The lazy way to improve your memory".

Nesse artigo referem estudos feitos por psicólogos que descobriram que após a apreensão duma informação nova, se deixarmos o cérebro com poucos estímulos exteriores e sem ser solicitado para resolver problemas pendentes, as delicadas conexões necessárias para implantar memórias são facilitadas, ficando facilmente acessíveis em solicitações futuras.

Dizem que o ideal é reduzir a iluminação evitando a escuridão total. O objectivo não é dormir mas também, caso se adormeça, a maior parte do efeito benéfico do repouso cerebral é preservada, os assuntos que tratámos imediatamente antes de dormir estão bem presentes na memória quando acordamos.

É um bocadinho irónica esta "instrumentalização" do Nirvana para a obtenção de uma boa memória mas digamos que um pouco de descanso sempre nos fez bem.

Dizem que os homens têm mais facilidade em não pensar em nada, os pescadores de cana serão uma uma das provas disso, mas as mulheres também conseguem, como exemplifica esta demonstrando a utilização da "Chaise-longue Le Corbusier-Jeanneret-Perriand"



2018-02-09

Caminhada nos Bosques


Acabei de ler outro livro de Bill Bryson, “A Walk in the Woods” e também gostei, sobretudo por confirmar de forma tão eloquente as minhas convicções sobre a incomodidade das grandes caminhadas, ainda para mais com uma mochila às costas com tenda, saco-cama, agasalhos, comida e água pesando cerca de 20kg!

Nesta pequena onda de frio que passou por Lisboa senti-me ainda mais confortável ao ler as descrições muito vivas da penosidade do início da caminhada, da chuva, do frio, da neve, da má comida e de toda a panóplia de experiências desagradáveis pelas quais passa este tipo de caminhantes.

Ainda por cima uma boa parte do caminho tem a vista obstruída por uma imensidade de árvores que faz com que a sensação de liberdade de estar num grande espaço com horizontes longínquos seja substituída por uma espécie de prisão num espaço fechado sem horizontes.

A cordilheira dos Apalaches corre aproximadamente paralela à costa leste dos EUA e em conjunto com as Montanhas Rochosas que seguem a costa Oeste, tornam mais difícil a influência moderadora do ar marítimo no clima do Midwest.

Por curiosidade fui ver no Google Maps o traçado do Appalachian Trail, que se estende por 14 estados, da Geórgia ao Maine e obtive este mapa onde referem 2180 milhas (3500km) de extensão do trilho.


Contudo, solicitando ao Google Maps para calcular a distância a pé desde o início do trilho dos Apalaches até ao monte Katahdin obtemos apenas 800 milhas (1280km), o que dá uma ideia do grau de divagação do trilho dos Apalaches entre o início e o fim do percurso.



Para fazer uma comparação com o território europeu para a distância de 3500km, segundo o mesmo Google Maps, seria preciso ir por bom caminho de Lisboa a Riga



embora se nos restringíssemos ao bom caminho com apenas 1280km acima referido, entre o início do trilho dos Apalaches na Geórgia e o monte Katahdin, nos bastasse ir de Lisboa até Carcassonne , no Sul de França


Fazendo as contas constata-se que o Google Maps considera que uma pessoa anda em média à velocidade de 4,8km/h, quer na América quer na Europa.

O Bill Bryson fez esta caminhada com outra pessoa, o que me parece da mais elementar prudência, para evitar que pequenos contratempos se transformem em grandes dramas. Depois de umas tantas semanas concluíram que já tinham andado bastante e que não  valia a  pena tentar fazer o trilho todo de uma só vez, passando então a fazer secções seleccionadas do trilho de vez em quando. Esta táctica tem a enorme vantagem de dispensar acarretar com a casa às costas durante a caminhada, tornando a actividade em si agradável e saudável como é possível e desejável que seja.

Tenho uns amigos que costumam fazer uns Caminhos de Santiago a pé, de manhã levam dois ou mais automóveis para o destino desse dia, deixam os carros lá e regressam num deles para o local do início da caminhada desse dia e ao fim do dia, quando chegam ao destino, voltam dois de carro ao ponto de partida  para buscar o carro que ficou para trás. Desta forma evitam andar a caminhar com mochilas pesadas.

Ficou-me na memória a descrição que fez de Centralia, uma povoação da Pensilvânia que teve que ser evacuada por estar sobre uma mina de carvão de antracite que ardeu durante décadas sem ninguém conseguir extinguir o incêndio. Recordo-me também da referência às condições difíceis para a agricultura na Nova Inglaterra e como os agricultores emigraram para o Midwest reduzindo a população nesses estados de onde partiram.

E de uma forma geral gostei muito da forma como o autor aborda os diversos assuntos que vêm a propósito durante as peripécias da viagem.

2018-02-06

Sobreiro Assobiador em Águas de Moura


Está a decorrer um concurso para escolher a Árvore Europeia do Ano. Embora não goste destas classificações em 1º, 2º, etc, o concurso serve para divulgar a existência de árvores espectaculares como este Sobreiro Assobiador

  

que vi neste sítio onde podem ir votar.

Desse sítio transcrevo:
«
O Assobiador
O Assobiador deve o nome ao som originado pelas inúmeras aves que pousam nos seus ramos. Plantado em 1783 em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu impacto na manutenção do ecossistema e no combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como “Árvore de Interesse Público” desde 1988 e e inscrito no Livro de Recordes do Guinness como "o maior sobreiro do mundo"!
»


 

2018-01-31

Abril e Outras Transições


Gostei deste livro do embaixador José Cutileiro onde faz uma espécie de autobiografia dando maior destaque às 3 transições que teve a oportunidade de observar e de intervir, a do 25 de Abril em Portugal, duma ditadura para uma democracia, a da África do Sul no fim do Apartheid e a dissolução da Jugoslávia e a guerra nos Balcãs.

Quando vi que o livro tinha apenas 126 páginas receei que tivesse sido escrito com um único parágrafo, numa tentativa de estabelecer algum recorde mas embora de vez em quando apareçam os parágrafos enormes que nunca mais acabam, tão do gosto do embaixador, o livro lê-se com muito agrado, contribuindo para melhorar a compreensão de transições que ocorreram no último quartel do século XX.

2018-01-30

Onda do Mar de Hokusai


Apareceu-me esta onda num power-point com muitas fotografias, fiz uma busca no Google Images e apareceram-me milhares de resultados mas não consegui identificar o autor


Mostro-a aqui porque me fez lembrar esta onda do Hokusai


da série de 36 vistas do Monte Fuji que mostrara aqui.

Constata-se neste exemplo uma das limitações das fotografias, pois ainda não vi nenhuma em que a espuma se transforme em pássaros brancos a voar, como acontece na pintura do Hokusai.

Claro que a onda "canónica do Hokusai é a Grande Onda de Kanagawa


mas acho que a anterior merecia não ser tão ofuscada por esta.

Rever as imagens do Hokusai que já mostrei neste blogue é fácil através desta busca que, como seria de esperar, mostra também este post.