2015-03-23

Tecnologia- LEDs



LED é um acrónimo para Light Emitting Diode (Díodo Electroluminescente) tendo os primeiros LEDs sido produzidos nos anos 60 do século XX. Os primeiros eram de cor vermelha, tendo depois aparecido os verdes e os amarelos. No princípio tinham um rendimento luminoso fraco e eram muito caros mas desde muito cedo substituíram as pequenas lâmpadas de incandescência usadas como sinalizadores luminosos em todo o tipo de painéis de instrumentos, dada a conveniência da sua longevidade.

Curiosamente foi bastante difícil a obtenção de um LED que emitisse na cor azul, o que só foi conseguido nos anos 90 por 3 japoneses, Shuji Nakamura, Isamu Akasaki e Hiroshi Amano, que ganharam em 2014 o prémio Nobel devido a essa descoberta.

Lembro-me de os produtos japoneses numa primeira fase terem fama de fancaria, um bocado como agora uma boa parte dos produtos chineses, de uma segunda fase em que começaram a ser sinónimo de grande qualidade mas em que frequentemente se dizia que os japoneses  se “limitavam a copiar e fazer um pouco melhor” mas que a criatividade estava no Ocidente e agora, numa área de tecnologia de ponta, chegaram primeiro à solução de um problema que certamente toda a gente estava interessada em resolver.

A descoberta do LED azul e as grandes melhorias na eficiência dos díodos tornaram viável a aplicação de LEDs para iluminação de interiores, além da sua utilização nos ubíquos monitores de televisão.

É impressionante a rapidez com que algumas tecnologias desaparecem. As lâmpadas fluorescentes compactas, que foram aconselhadas pela DECO  (DEfesa do COnsumidor) em 2004, como substitutos tecnica e economicamente interessantes das lâmpadas de incandescência vão entrar na obsolescância apenas uma década depois de terem sido introduzidas, a DECO recomenda agora, em 2015, as lâmpadas LEDs! As lâmpadas de incandescência aguentaram-se mais de cem anos!

Um pouco antes do surgimento das lâmpadas fluorescentes compactas para as habitações particulares constatei a sua introdução maciça em hotéis e em outros edifícios públicos, é possível que devido a descontos de volume as lâmpadas se tornem economicamente interessantes para edifícios públicos um pouco mais cedo do que para as casas particulares. Em Maio do ano passado estive num hotel onde já só se viam lâmpadas LEDs e elas aí estão em força, a retirar as fluoresescentes compactas das prateleiras.

Dada a enorme versatilidade das formas que a tecnologia LED torna possível, prevejo grandes oportunidades para os projectistas de iluminação.

Deixo a imagem de um dos muitos tipos de lâmpadas LED, neste caso praticamente equivalente a uma lâmpada de filamento incandescente.




2015-03-20

Eclipse solar de 20 de Março de 2015


Para ver a explicação das imagens que seguem o leitor poderá consultar o post deste blogue com o título "Luz de eclipse através de persianas sobre parede e cama" que referia o eclipse de 3 de Outubro de 2005.

As imagens que seguem foram tiradas hoje, entretanto mudei várias persianas e os orificios em vez de circulares são agora mais alongados, modificando um pouco a luz projectada na parede.

Nas 3 imagens seguintes, a da esquerda e a do centro foram tiradas no mesmo sítio às 08:43 e às 08:45, no dia a dia não reparamos na velocidade com que a luz do Sol se desloca, as projecções do Sol alteraram-se bastante em 2 minutos! A 3ª imagem foi tirada noutra divisão da casa, às 8:43 como a mais à esquerda.



Depois apeteceu-me apanhar a projecção do Sol na minha mão



Um pouco mais tarde havia mais projecções na parede e desta vez no chão, porque a cama que estava aqui em 2005 mudou entretanto de posição no quarto




mostrando agora apenas a parede



e finalizando com o chão


2015-03-19

Lake Palace em Udaipur


Quando falo da Índia é muito frequente relembrar-me da estadia no hotel Lake Palace em Udaipur, de que falei em posts mais antigos deste blogue e no post de 11 de Março deste ano.





Trata-se de um hotel situado num edifício no meio dum lago artificial criado por uma barragem mandada construir pelo marajá de Udaipur.







Tenho a ideia que o edifício se destinava a alojar visitas do marajá, sendo actualmente explorado pela cadeia de hotéis Taj, que inclui vários palácios indianos antigos.




A presença de tanta água num território quase desértico como o Rajasthan e a própria necessidade de ir de barco da margem do lago até ao hotel cria desde logo um ambiente especial.




Do hotel vêem-se na margem do lago os palácios dos sucessivos marajás,




aparentemente há o palácio do marajá, o do pai dele, o do avô e aí por diante. A obsessão com a construção civil não é um exclusivo de Portugal. E os palácios eram construídos como fortalezas, à semelhança do forte Amber, em Jaipur, que referi aqui.

Nas salas de estar os tectos eram decorados com estes embutidos de vidros coloridos




E depois deste corredor (ou de outro parecido) tanbém decorado com embutidos coloridos



chegava-se ao pátio interior principal:




Todas estas imagens são de 1993.

O tempo voa, o primeiro post deste blogue foi publicado em 17/Mar/2008, há 7 anos!




2015-03-16

Música Indiana


Gostei muito do concerto, referido no post anterior, dado no Grande Auditório da Gulbenkian por Amjad Ali Khan e do seu diálogo com a orquestra da fundação. Surpreendi-me com a semelhança da sonoridade do Sarod com vários instrumentos ocidentais, provavelmente em trechos cuidadosamente escolhidos.

Andei à procura no Youtube de espectáculos do artista que referi e sem grandes selecções, pois os meus conhecimentos nesta área são extremamente limitados, escolhi este concerto de Amjad Ali Khan mais os seus dois filhos num concerto em Colónia de que extraí esta imagem




sendo o Youtube (17 minutos) acessivel aqui



depois escolhi um concerto em conjunto de Shivkumar Sharma e Hariprasad Chaurasia com duração de uma hora e meia (Mumbai, 1996)




tendo só agora descoberto que o Santoor não se parece com uma guitarra,



cuja imagem fui buscar aqui.

Para terminar deixo um concerto de Ravi Shankar mais a sua filha Anoushka, num trecho de 11 minutos dum espectáculo em Birmingham em 1997, tinha ele 77 anos



Desculpar-me-ão a falta de links destes artistas mundialmente famosos mas, precisamente pelo estatuto que têm, é muito fácil encontrar referências sobre todos eles na net.


2015-03-11

Amjad Ali Khan na Gulbenkian


Numa volta no Rajasthan em 2001 tive então o privilégio de passar duas noites no Lake Palace Hotel em Udaipur de que tirei este slide cuja digitalização estive a "limpar" dos pontos negros de pó.




Nesse hotel ouvi no sistema de som uma música indiana que me disseram ser de Amjad Ali Khan.

Em Delhi fui à procura dum CD do artista no Cottage Emporium, onde entre outros intérpretes famosos como Shiv Kumar Sharma em Santoor, Hariprasad Chaurasia em Flauta, Ravi Shankar em Sitar, comprei um CD de Amjad Ali Khan em que ele tocava Sarod, um instrumento de cordas.


O artista, que nunca ouvi ao vivo, vai agora tocar na Gulbenkian, quinta-feira dia 12/Mar às 21:00, sexta-feira dia 13/Mar às 19:00.

2015-03-10

Calendário em dodecaedro pentagonal


Em Dezenbro do ano passado recebi um e-mail com esta planificação de um calendário com a forma de um dodecaedro pentagonal, um dos cinco sólidos perfeitos, ou também chamados sólidos platónicos.

Nunca tinha visto um dodecaedro pentagonal a fazer de calendário quando a presença de 12 faces, tantas quantos os meses de um ano, já o deveria ter sugerido.

Entretanto, na execução do objecto constatei que o fecho do sólido, na parte final da montagem, é algo complicado, talvez seja a essa a razão...

Aqui  deixo uma imagem do objecto, virado para o mês de Março de 2015.


2015-03-09

Prado urbano primaveril


Há vários canteiros com relva nos Olivais Sul que se encheram de tantos malmequeres pequenos de pétalas brancas e pequena corola amarela que parece que estão cobertos de neve.

Neste canteiro no Bairro da Encarnação, aonde me desloquei para liquidar uma taxa moderadora no valor de 1,00 €, de que recebi notificação em carta, felizmente não registada pois, caso contrário o Estado teria logo à partida gasto mais do que o valor em dívida, tinha malmequeres de várias cores.

A foto não ficou grande coisa, foi tirada com o telemóvel. Usei um programa de processamento de imagem para a tornar mais nítida pois estava um bocado desfocada. A foto foi tirada há 4 dias e o calorzinho de ontem e hoje confirmam que o fim do Inverno está muito próximo.





2015-03-05

Antes e Depois


No site da BBC News, vi neste artigo esta sequência de imagens


Dizem no artigo que nem precisaram de programa de editar fotos, ao fim de duas horas, de uns exercícios ligeiros, de um creme para dar um tom mais bronzeado, de uma melhor postura corporal e de uma iluminação adequada, sem consumirem nenhuma pílula nem seguirem uma dieta milagrosa, conseguiram estes resultados espectaculares!

2015-03-03

Vestido de cores ambíguas


Tem-se falado muito da imagem deste vestido que apareceu na internet, não sei bem aonde.



O motivo da discussão é a diferença das cores vistas por diferentes pessoas, olhando para a mesma imagem, no mesmo monitor.

Há quem veja branco e dourado enquanto outros vêem azul e preto.

A BBC fez um pequeno vídeo onde mostra isso mesmo.

Eu próprio já constatei a diferença entre mim e outras pessoas, olhando para esta imagem num mesmo monitor.

E quem vê duma maneira, mantém essa maneira ao longo do tempo.

A questão da cor do vestido é importante porque embora já soubéssemos que existem ilusões de óptica, essas ilusões enganam toda a gente mais ou menos da mesma maneira


Neste caso o nosso cérebro faz uma conjectura baseada na experiência (“educated guess”) sobre a natureza da luz que ilumina o vestido, essa conjetura é para nós inconsciente mas neste caso dramaticamente relevante e duas pessoas olhando para o mesmo objecto vêem cores completamente diferentes, abalando a nossa crença na objectividade da nossa visão.

A Wired escreveu sobre este fenómeno, assim como a Scientific American.


Para eu ver as cores do vestido mais parecidas com a realidade precisei de ajustar a imagem, por exemplo para ela ficar assim:

2015-02-27

Grécia e Três Graças


        


Voltei-me a cansar dos termos em que é discutida a crise Grega, da contabilidade de cedências pelas partes em confronto. Usam também uma técnica retórica clássica que consiste em atribuir ao adversário opiniões que ele não defende para depois ou atacar essas opiniões ou dizer que o adversário já mudou de opinião. A outra técnica é referir a nossa opinião como a “realidade”, confundindo a natureza imutável por exemplo das leis da fisica ou as relações matemáticas com as “leis económicas” onde a vontade e psicologia humanas têm em grande número de casos um papel muito importante.

Em relação à semana passada por um lado parece-me que o Syriza exagerou na agressividade da abordagem aos países do Eurogrupo. Por outro lado considero monstruosas algumas das medidas tomadas na Grécia sob pressão da troika, designadamente a lei em que os desempregados perdem o acesso ao Sistema Nacional de Saúde poucos meses depois de ficarem  no desemprego e a circunstância de 300 000 famílias não terem meios para pagar a conta da electricidade.

Só para corrigir estas duas situações completamente aberrantes, “olimpicamente” ignoradas pela direita que aparece na TV portuguesa a falar sobre a crise grega, já valeria a pena ter escolhido o Syriza para governar a Grécia. O Eurogrupo concedeu algum tempo ao governo grego e aguardemos pelo desenrolar dos próximos capítulos.

A propósito deste tema não consigo deixar de pensar no Amartya Sen e no seu livro “Poverty and Famines, An Essay on Entitlement and Deprivation”, um livro que referi aqui.

Uma das teses interessantes de Amartya Sen é que nas democracias não se morre à fome porque os governantes têm pressões fortes para não deixar morrer os seus eleitores.

Neste caso grego parece-me que a União Europeia se tem comportado como  uma potência colonial, por exemplo como  a Inglaterra em relação à fome de Bengala em 1945. A democracia “ressuscitou” na Grécia indo provavelmente evitar que os desempregados quando doentes não tenham assistência médica, que morram à fome, que fiquem sem casa e que não possam aceder à electricidade.

Quando se observa a mudança de opinião recente de Vítor Bento em relação a várias características da política económica prevalecente na União Europeia existem razões para acreditar que outros economistas e políticos poderão também mudar de opinião e que pode ocorrer uma inflexão em vários aspectos da política actualmente em vigor.


Dado que há tanta gente a falar sobre estes temas vou mudar de assunto mostrando esta bela imagem


que vi nesta referência a uma exposição no lendário hotel Mamounia de Marraquexe.

Cheguei a ela por um caminho improvável que começou a propósito dos 50 anos da morte de Winston Churchill e de se falar das suas pinturas e do seu gosto pela luz de Marraquexe, passando pelo seu relacionamento com o poeta e pintor marroquino Hassan el Glaoui de quem é esta imagem bem como a que se segue, com cavalos em movimento. Os azuis da primeira pintura fizeram-me pensar na casa azul dos jardins da Majorelle



Na exposição do Mamounia mostram também este quadro que Churchill pintou em Marraquexe



Nesta divagação fui dar ao site da filha do pintor marroquino que se chama Ghizlan el Glaoui e que também se dedica à pintura.

Gostei desta imagem de mulher com cabelo cor de fogo que vi no site da pintora



mas ao ver no mesmo site esta variante do famoso quadro de Vermeer, “Rapariga com brinco de pérola” ou talvez da foto da Scarlett Johansson no filme que contribuiu para uma ainda maior fama do referido quadro




fiquei a pensar que possivelmente o quadro de cima também seria uma variante doutro quadro famoso. Procurei no Google as “Three Graces” referidas na imagem e fui dar a um dos detalhes famosos do quadro da Primavera de Botticelli com as 3 graças, passando a mostrar primeiro o quadro




seguido de um detalhe com as Três Graças




onde constatei que as imagens do site da pintora que mostro em  baixo são realmente variações  ou reinterpretações das Graças de Botticelli:



Diz na Wikipédia que as Graças são:
- Ἀγλαΐα (Aglaia- ‘a resplandecente’, ‘a que brilha’, ‘a ‘a esplêndida’) era a mais jovem e bela das três Graças,  simbolizando a inteligência, o poder criativo e a intuição do intelecto;
- Εὐφροσύνη (Euphrosina- personificação da alegria);
- Θαλία (Tália- em inglês diz que era a deusa da abundância, dos banquetes, em português que era a deusa do brotar das flores.

Não consigo distinguir quem é qual.

Estas imagens de Ghizlan el Glaoui, se bem que inspiradas pelas graças de Botticelli, não são uma cópia. Não sei como se chama uma reinterpretação de uma pintura, como é feito aqui. Suponho que seja muito mais complexo do que o simples uso de umas ferramentas informáticas que transformam uma fotografia numa aguarela, numa pintura a óleo, etc.

A divisão em quadrados das imagens fez-me pensar nos mosaicos bizantinos e nas suas interpretações contemporãneas, como por exemplo do cipriota George Kotsonis que referi aqui.

Acho positiva esta entrada de marroquinos pela representação pictórica de seres humanos, o risco destas imagens se tranformarem em ídolos é verdadeiramente pequeno.

E gostei de falar da influência das civilizações do Mediterrâneo na nossa visão do mundo.

2015-02-22

Tradição Sikh em socorro dos sem-abrigo britânicos


Chamou-me a atenção este artigo da BBC onde referem que muitos sem-abrigo em Londres são alimentados pela comunidade Sikh que, além de fornecer comida quente nos seus templos, quer na Índia quer na Inglaterra quer onde eles se situem, criou um serviço de carrinhas para chegar a um maior número de pessoas sem-abrigo.

É irónico que na capital da antiga metrópole do grande Império, as deficiências do Estado Social da Grã-Bretanha, para cujo desmantelamento muito contribuiu Margareth Thatcher, que manifestava abertamente a sua antipatia por estrangeiros, que essas deficiências sejam agora parcialmente minimizadas por tradições de culturas das ex-colónias, vindo agora os descendentes de anteriores imigrantes salvar da fome os cidadãos britânicos sem distinção de origem étnica ou profissão religiosa, à semelhança das actividades de caridade cristã, comuns na Europa e noutras partes do mundo.

Esta tradição Sikh chamada Langar, de dar comida a quem tem fome, é referida também aqui. Esta tradição será provavelmente tributária do Sufismo islâmico da ordem Chisti.

Deixo duas fotos que tirei em Abril/2001 do templo Sikh Gurdwara Bangla Sahib, situado ao pé de Connaught Place em Nova Deli, onde também serviam refeições vegetarianas gratuitas, primeiro uma das entradas do templo, depois o lago para abluções.








Mostro também o mausoleu de Salim Chisti em Fatehpur Sikri que fui buscar à wikipédia.



Em tempos referi o trabalho maravilhoso em mármore deste mausoleu neste post.


2015-02-18

Na Europa temos abundância de crises


Lembrei-me disso a propósito da crise actual envolvendo a Grécia e deste mapa da Europa em 1648,



após a Paz de Vestefália que pôs fim à guerra dos 30 anos e que julgo que retirei dum post do Paulo Pinto que agora não consigo localizar.

Também falando sobre História esteve Helmut Schmidt neste discurso em Berlim em 4/Dez/2011 que já referi aqui e cujo texto integral a Shyznogud colocou aqui.



2015-02-14

Vítor Bento e os economistas com fé inabalável


Estava à espera dum dilúvio de comentários na comunicação social sobre o ensaio que o Vítor Bento publicou no Observador em 8/Fev/2015 mas no dia 10/Fev só lia o espanto (parece-me que justificado) do Nicolau Santos no Expresso. Apareceram posteriormente comentários no próprio Observador, outro no Público de Francisco Louçã mas muito poucos artigos com destaque nos restantes jornais. Mostro o resultado duma busca que fiz com o Google no dia 10/Fev



Parece-me estranho este silêncio sepulcral sobre a inflexão na opinião de Vítor Bento, baseada na observação dos péssimos resultados dos programas de austeridade impostos pela União Europeia aos países deficitários.

Na Ciência ocidental, a partir de observações estabelecem-se teorias e eventualmente realizam-se testes, observando-se depois a realidade para ver se a teoria é válida ou não.

Na Economia deveria ser também assim, se bem que com maior dificuldade em fazer e interpretar os resultados dos testes. Parece que Vítor Bento pertence à muito pequena minoria de economistas que se interessam pela realidade e pela verificação dos resultados dos programas de acção económica. A grande maioria dos economistas do pensamento único usa a Economia como um substituto da Religião, em que basta ter uma crença forte no pensamento dominante que nos ensinaram na universidade. Se a realidade não confirma a teoria bastará esperar mais algum tempo, para que a crença que nos ensinaram mostre que está certa. É um raciocínio semelhante aos dos comunistas que sempre estiveram seguros que a experiência russa iria dar certo, era só ter paciência para esperar pelos amanhãs que cantavam.

Para compensar a falta de cor-de-rosa na realidade ecomómica dos países deficitários da Europa deixo mais outra foto da Beira-Tejo em 26/Dez/2014, onde pelo menos a paisagem é rica nessa cor.




2015-02-09

Mais vale tarde do que nunca, Vítor Bento


Finalmente Vítor Bento escreveu um ensaio sobre a Eurocrise em que foca a atenção sobre a impossibilidade da existência de um mundo em que todos os países tenham excedentes no seu comércio com os outros!

Não me esqueço do contragosto manifestado por Durão Barroso, quando ainda presidente da comissão, de ter tido que levantar um processo à Alemanha por  desequilíbrio continuado do seu comércio externo, como por exemplo neste relatório. Dizia ele num à parte que gostaria que todos os desequilíbrios que tivesse que estudar fossem do tipo de excedente, como era o caso da Alemanha.

Em tempos escrevi um post sobre este tema, aqui. Claro que toda a gente sabe isto mas parece que o pensamento actualmente dominante prefere ignorar sistematicamente que ter excedentes é tão insustentável como ter déficits.

Foi assim com muito gosto que li o ensaio de Vítor Bento publicado no "Observador", onde se pode ler:

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Esta forma de ajustamento tem, portanto, envolvido uma efectiva transferência de bem-estar social (incluindo emprego) dos Deficitários para os Excedentários. E aqui reside a grande falha da argumentação moral que tem subjazido à condução do processo, pois que não são os Excedentários que têm estado a sustentar o bem estar dos Deficitários, mas o contrário. Nestes termos, a justiça do processo de ajustamento em curso só poderia ser restabelecida com uma transferência efectiva de recursos (e não de empréstimos) dos Excedentários para os Deficitários.

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2015-02-04

Grécia ou a existência de opiniões diversas na Europa


É muito difícil uma pessoa avaliar situações complexas como a da Grécia.

Sabendo que estou a ser bombardeado por meios de comunicação em que uma boa parte está mais interessada em fazer propaganda do que em revelar-me a realidade, presto atenção aos indícios reveladores que me vão aparecendo.

No caso da Grécia considero particularmente revelador que a anterior maioria tenha aprovado uma lei em que os desempregados perdem o acesso ao Sistema Nacional de Saúde poucos meses depois de ficarem  no desemprego. É uma lei iníqua sem justificação económica razoável. Os sistemas de saúde devem ter finanças equilibradas havendo sempre a necessidade de definir quais os tratamentos que são economicamente viáveis e quais os que não o são. Mas excluir cidadãos do acesso ao sistema nacional de saúde, pelo facto de estarem desempregados, é condenar à doença os desempregados pobres, negando-lhes a solidariedade dos outros cidadãos. Reduzir um pouco o nível de cuidados para toda a gente de forma a poder acolher todos os cidadãos é a única forma decente de resolver eventuais desequilíbrios entre receitas e despesas. Existem assim formas alternativas de resolver desequilíbrios, ao  contrário do que tanta gente nos tenta convencer.

Uma das melhores ilustrações de que existem opiniões diversas sobre assuntos económicos nas instituições da Europa, ao contrário do que tanta direita portuguesa nos pretende fazer crer, é esta foto de Mario Draghi, presidente do BCE, e do nosso Ministro das Finanças, Wolfgang Schauble, captada na reunião do FMI em Washington em 10-Out-2014, da Bloomberg e publicada por Maxime Sbaihi aqui:



Agora quando andei à procura no Google/Imagens da origem desta foto que na altura guardara no meu PC apareceu-me este resultado curioso da pesquisa, em que a primeira página de resultados é ocupada exclusivamente por sítios escritos em grego, mostrando a sensibilidade dos gregos à existência de opiniões diversas na Europa:



No meio disto fui dar a este site interessante com notícias sobre a Grécia, The Press Project – Greek News for a Global Audience com este video em que Obama diz à Alemanha que os gregos estão numa depressão económica, não podem ser mais espremidos.

É natural que a electricidade seja cortada a clientes que não paguem, dado que a electricidade não é gratuita. Mas já não é natural que 300.000 famílias gregas não tenham dinheiro para pagar a conta de electricidade, não é certamente assim que se consegue aumentar a competitividade de um país. É vergonhoso que se tenha chegado a esta situação e este é mais um indício da natureza errada das políticas aplicadas na Grécia.



2015-01-27

Ricardo Paes Mamede




O programa "Prós e Contras" da RTP1 teve ontem momentos altos como o desta intervenção de Ricardo Paes Mamede que fui buscar ao blogue "Ladrões de bicicletas". O programa merece ser revisto, para quem tiver essa possibilidade, contando também com boas intervenções do embaixador Francisco Seixas da Costa.




Demorei demasiado tempo a aperceber-me que quem cai no desemprego na Grécia, passados alguns meses, deixa de ter acesso ao Sistema Nacional de Saúde, uma medida tomada pelo governo grego para satisfazer uma das exigências da Troika.

Não preciso de saber mais nada para concluir que a União Europeia não conseguiu respeitar os seus princípios, impondo à Grécia condições vergonhosas e inúteis sem um mínimo de decência.

2015-01-25

Resistir à mudança da Grécia


Agora que o Syriza ganhou as eleições gregas está na altura de as forças da direita, que clamam tanto contra as resistências às mudanças por elas desejadas, não resistirem a esta mudança considerada necessária pela maioria do povo grego.

Em Dezembro de 2009 tirei esta foto no interior do novo Museu da Acrópole em Atenas:





2015-01-15

Beira-Rio (Tejo)


Passei bem o ano mas comecei mal, com um ataque de Zona (herpes zoster) no lado esquerdo da cara.

Deixo uma imagem tranquila dum fim-de-tarde à beira-rio tejo, tirada no dia 26-Dez do ano passado.




2014-12-31

Boa Passagem


No Japão gostam imenso de portões, assinalando que se está a passar duma área para outra. É portanto uma boa metáfora para a passagem de um ano para o seguinte.

Proponho assim este portão do palácio Imperial de Kyoto, para comemorar a passagem hoje à meia-noite para um novo ano, que faço votos para que seja melhor do que o que passou.



A grande quantidade de símbolos imperiais, a flor estilizada de 16 pétalas referida aqui, não deixa qualquer margem para dúvida que este portão tem a ver com o imperador do Japão.

Mostro a seguir o mesmo portão mas em maior detalhe



destacando a seguir um dos grous e uma borboleta azul



e finalizando com um dragão e um tigre.



Boa passagem de ano!