2018-02-21

A dificuldade da imprensa económica


Não sou apreciador dos artigos do Prof. Daniel Bessa no suplemento de Economia do jornal Expresso mas, talvez por vir na primeira página desse suplemento e ser curto acabo por lê-lo com alguma frequência.

O professor normalmente critica e, dependendo da sua posição ideológica em relação aos temas e aos eventuais responsáveis, ou refere um aspecto da economia de Portugal, uma situação ou uma evolução positiva e afirma depois que poderia ter sido melhor, ou refere uma crítica a uma situação ou evolução negativa e afirma que não existia alternativa ou que poderia ter sido pior. Há aqui uma componente de “treinador de bancada” de pessoa que prefere comentar a fazer mas cada qual tem as suas preferências.

No artigo do passado sábado (17/Fev/2018) o professor começa por um discurso auto-referente alertando o leitor sobre os perigos que o espreitam neste tipo de publicações pois “têm um autor, quase sempre com interesse próprio”  como entre outras coisas por exemplo “...para votar num partido, admirar um gestor ou um político”. Trata-se portanto duma parágrafo análogo ao famoso paradoxo de Epiménides, um cretense que disse que todos os cretenses eram mentirosos. Neste caso o professor, autor do artigo num jornal de economia, avisa que nesses jornais os autores dão informação incompleta ou distorcida, com objectivos não declarados. Li portanto cautelosamente o resto do artigo, que mostro na imagem à direita, para verificar se a comunicação apresentada (já ciente que não se tratava de informação “pura”) estaria muito distorcida.

Sabe-se que as estatísticas se devem rodear de muitos cuidados pois os números são entidades que, embora permitam uma síntese potencialmente muito melhor do que a convicção inabalável de um Magister, não conseguem transmitir a totalidade do real. Por isso é prudente recorrer a mais do que um critério numérico para caracterizar uma situação.

No caso do crescimento económico em 2017, Portugal cresceu 2,7% enquanto o conjunto da UE (União Europeia) cresceu 2,3%. Desta informação conclui-se que:
- o crescimento de Portugal deu-se num contexto de crescimento da economia europeia;
- o crescimento de Portugal foi maior do que a média europeia;
- ocorreu portanto uma convergência da economia de Portugal com a Europa.

Consultando estatísticas anteriores pode-se ainda dizer que desde a nossa integração no euro é o primeiro ano em que convergimos com a UE e ainda que foi o maior crescimento da economia portuguesa “neste século”, o que, sendo verdade, é uma frase que parece publicidade, uma forma mais neutral seria “nas últimas duas décadas”.

Não me parece assim que, à parte a referência a um século que conta apenas 17 anos, a informação que “em 2017, Portugal cresceu 2,7% enquanto o conjunto da UE (União Europeia) cresceu 2,3%” possa ser considerado como “adornando o barco em determinado sentido”.

Não me pareceria mal que o autor referisse outros aspectos da economia portuguesa, tais como a dívida, o investimento, a diáspora que não regressa, o emprego, a despesa pública, a balança comercial, etc., pois a situação do país não pode ser caracterizada apenas pelo crescimento económico.

Contudo o professor foi buscar o conceito de “país”, particularmente desadequado como unidade de comparação de realidades económicas em que o país não possa ser considerado como uma realidade homogénea. Sabe-se que na maior parte dos países europeus existe bastante heterogeneidade entre as suas regiões e existem regiões dentro dos países grandes que são maiores do que países pequenos da UE.

Neste sítio do Eurostat mostram a população de cada país, estimada para o dia 1/Jan, de 2006 a 2017. Nessa tabela consta que em Jan/2017 na Alemanha viviam 82,8 milhões de pessoas, no Reino Unido 65,8, na França 67 e na Itália 60,6, somando estes 4 países uma população de 276,2 milhões de habitantes, mais de metade da população dos 28 estados membros que era então de 511,8 milhões. Adicionando a este valor a população da Grécia de 10,7, a da Bélgica de 11,4 e da Dinamarca de 5,7 milhões obtemos um conjunto total de 304 milhões de pessoas (59,3% da população da UE) que vivem em países cujo aumento médio do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017 foi inferior ao aumento observado em Portugal.

Não só esta comparação considerando a população dos países me parece significativa como a escolha de países como unidade para a comparação do indicador económico “crescimento anual do PIB em 2017” é uma forma enganadora de apresentar a realidade. Faz-me lembrar a boutade do Montenegro quando disse que Portugal estava economicamente melhor, os portugueses é que ainda não. Neste caso o jornal destaca em título que 19 países em 28 estão a crescer mais do que Portugal. E neste caso não diz que 60% da população da UE vive em países cujo crescimento foi inferior ao que se verificou em Portugal.

Bem avisou o professor que era preciso ler com cuidado os artigos dos jornais de economia. Este é mais um exemplo dum texto que tenta enganar o leitor se bem que com aviso prévio.

2018-02-17

O Nirvana como um caminho


Normalmente o Nirvana é considerado como um objectivo, um destino final, de ausência de desejo.

É estranho desejar-se a ausência de desejo e deve ser por isso que é difícil atingir o Nirvana. Julgo que um dos treinos é a meditação oriental em que se tenta esvaziar a mente de preocupações e tenta não se pensar em  nada, o que também costuma ser uma contradição nos termos.

Pessoalmente gosto de ter a mente ocupada e detesto estar em filas de espera, muito mal em pé, mas também mal sentado, caso não tenha um livro ou algum computador portátil para me distrair.

Mas existem dispositivos materiais, concebidos por ocidentais como neste caso seria de esperar, que nos ajudam a esvaziar a mente e rapidamente (para espíritos menos agitados) entrar em sono profundo. Trata-se desta cadeira concebida no atelier Le Corbusier por Charlotte Perriand


que já referi no post intitulado "Um caminho para o Nirvana" e da qual me lembrei ao ler um artigo da BBC referido como "The lazy way to improve your memory".

Nesse artigo referem estudos feitos por psicólogos que descobriram que após a apreensão duma informação nova, se deixarmos o cérebro com poucos estímulos exteriores e sem ser solicitado para resolver problemas pendentes, as delicadas conexões necessárias para implantar memórias são facilitadas, ficando facilmente acessíveis em solicitações futuras.

Dizem que o ideal é reduzir a iluminação evitando a escuridão total. O objectivo não é dormir mas também, caso se adormeça, a maior parte do efeito benéfico do repouso cerebral é preservada, os assuntos que tratámos imediatamente antes de dormir estão bem presentes na memória quando acordamos.

É um bocadinho irónica esta "instrumentalização" do Nirvana para a obtenção de uma boa memória mas digamos que um pouco de descanso sempre nos fez bem.

Dizem que os homens têm mais facilidade em não pensar em nada, os pescadores de cana serão uma uma das provas disso, mas as mulheres também conseguem, como exemplifica esta demonstrando a utilização da "Chaise-longue Le Corbusier-Jeanneret-Perriand"



2018-02-09

Caminhada nos Bosques


Acabei de ler outro livro de Bill Bryson, “A Walk in the Woods” e também gostei, sobretudo por confirmar de forma tão eloquente as minhas convicções sobre a incomodidade das grandes caminhadas, ainda para mais com uma mochila às costas com tenda, saco-cama, agasalhos, comida e água pesando cerca de 20kg!

Nesta pequena onda de frio que passou por Lisboa senti-me ainda mais confortável ao ler as descrições muito vivas da penosidade do início da caminhada, da chuva, do frio, da neve, da má comida e de toda a panóplia de experiências desagradáveis pelas quais passa este tipo de caminhantes.

Ainda por cima uma boa parte do caminho tem a vista obstruída por uma imensidade de árvores que faz com que a sensação de liberdade de estar num grande espaço com horizontes longínquos seja substituída por uma espécie de prisão num espaço fechado sem horizontes.

A cordilheira dos Apalaches corre aproximadamente paralela à costa leste dos EUA e em conjunto com as Montanhas Rochosas que seguem a costa Oeste, tornam mais difícil a influência moderadora do ar marítimo no clima do Midwest.

Por curiosidade fui ver no Google Maps o traçado do Appalachian Trail, que se estende por 14 estados, da Geórgia ao Maine e obtive este mapa onde referem 2180 milhas (3500km) de extensão do trilho.


Contudo, solicitando ao Google Maps para calcular a distância a pé desde o início do trilho dos Apalaches até ao monte Katahdin obtemos apenas 800 milhas (1280km), o que dá uma ideia do grau de divagação do trilho dos Apalaches entre o início e o fim do percurso.



Para fazer uma comparação com o território europeu para a distância de 3500km, segundo o mesmo Google Maps, seria preciso ir por bom caminho de Lisboa a Riga



embora se nos restringíssemos ao bom caminho com apenas 1280km acima referido, entre o início do trilho dos Apalaches na Geórgia e o monte Katahdin, nos bastasse ir de Lisboa até Carcassonne , no Sul de França


Fazendo as contas constata-se que o Google Maps considera que uma pessoa anda em média à velocidade de 4,8km/h, quer na América quer na Europa.

O Bill Bryson fez esta caminhada com outra pessoa, o que me parece da mais elementar prudência, para evitar que pequenos contratempos se transformem em grandes dramas. Depois de umas tantas semanas concluíram que já tinham andado bastante e que não  valia a  pena tentar fazer o trilho todo de uma só vez, passando então a fazer secções seleccionadas do trilho de vez em quando. Esta táctica tem a enorme vantagem de dispensar acarretar com a casa às costas durante a caminhada, tornando a actividade em si agradável e saudável como é possível e desejável que seja.

Tenho uns amigos que costumam fazer uns Caminhos de Santiago a pé, de manhã levam dois ou mais automóveis para o destino desse dia, deixam os carros lá e regressam num deles para o local do início da caminhada desse dia e ao fim do dia, quando chegam ao destino, voltam dois de carro ao ponto de partida  para buscar o carro que ficou para trás. Desta forma evitam andar a caminhar com mochilas pesadas.

Ficou-me na memória a descrição que fez de Centralia, uma povoação da Pensilvânia que teve que ser evacuada por estar sobre uma mina de carvão de antracite que ardeu durante décadas sem ninguém conseguir extinguir o incêndio. Recordo-me também da referência às condições difíceis para a agricultura na Nova Inglaterra e como os agricultores emigraram para o Midwest reduzindo a população nesses estados de onde partiram.

E de uma forma geral gostei muito da forma como o autor aborda os diversos assuntos que vêm a propósito durante as peripécias da viagem.

2018-02-06

Sobreiro Assobiador em Águas de Moura


Está a decorrer um concurso para escolher a Árvore Europeia do Ano. Embora não goste destas classificações em 1º, 2º, etc, o concurso serve para divulgar a existência de árvores espectaculares como este Sobreiro Assobiador

  

que vi neste sítio onde podem ir votar.

Desse sítio transcrevo:
«
O Assobiador
O Assobiador deve o nome ao som originado pelas inúmeras aves que pousam nos seus ramos. Plantado em 1783 em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu impacto na manutenção do ecossistema e no combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como “Árvore de Interesse Público” desde 1988 e e inscrito no Livro de Recordes do Guinness como "o maior sobreiro do mundo"!
»


 

2018-01-31

Abril e Outras Transições


Gostei deste livro do embaixador José Cutileiro onde faz uma espécie de autobiografia dando maior destaque às 3 transições que teve a oportunidade de observar e de intervir, a do 25 de Abril em Portugal, duma ditadura para uma democracia, a da África do Sul no fim do Apartheid e a dissolução da Jugoslávia e a guerra nos Balcãs.

Quando vi que o livro tinha apenas 126 páginas receei que tivesse sido escrito com um único parágrafo, numa tentativa de estabelecer algum recorde mas embora de vez em quando apareçam os parágrafos enormes que nunca mais acabam, tão do gosto do embaixador, o livro lê-se com muito agrado, contribuindo para melhorar a compreensão de transições que ocorreram no último quartel do século XX.

2018-01-30

Onda do Mar de Hokusai


Apareceu-me esta onda num power-point com muitas fotografias, fiz uma busca no Google Images e apareceram-me milhares de resultados mas não consegui identificar o autor


Mostro-a aqui porque me fez lembrar esta onda do Hokusai


da série de 36 vistas do Monte Fuji que mostrara aqui.

Constata-se neste exemplo uma das limitações das fotografias, pois ainda não vi nenhuma em que a espuma se transforme em pássaros brancos a voar, como acontece na pintura do Hokusai.

Claro que a onda "canónica do Hokusai é a Grande Onda de Kanagawa


mas acho que a anterior merecia não ser tão ofuscada por esta.

Rever as imagens do Hokusai que já mostrei neste blogue é fácil através desta busca que, como seria de esperar, mostra também este post.


2018-01-24

Ponte Hong-Kong-Zhuhai-Macau



Não me consigo lembrar porque fui ver uma lista das pontes mais compridas do mundo, talvez tenha sido a referência por Macron à possibilidade de construir uma ponte sobre o Canal da Mancha e às vozes que referiram a inconveniência de colocar obstáculos à navegação numa das zonas com maior tráfego marítimo em todo o mundo.

Nessa lista vi uma referência a uma ponte em construção entre Hong-Kong dum lado e Zhuhai e Macau do outro e fui ver ao Google Earth se já existia imagem da referida ponte cuja construção, com alguns atrasos e custos maiores que os orçamentados, deve ser concluída durante o ano de 2018.

Será a ponte marítima mais comprida do mundo, partindo de uma ilha artificial (mais outra) construída em frente de Macau, unida por pontes a Macau e Zhuhai, seguindo sobre pilares num nível relativamente baixo até uma ilha artificial onde passa a túnel, para não criar dificuldades à navegação nem precisar de resistir aos tufões frequentes nesta zona. Quando o túnel regressa à superfície continua em ponte até ao aeroporto de Hong-Kong junto à ilha de Lantau, donde segue por ligações já existentes ao território de Hong-Kong.

Nesta escala a ponte é um traço castanho-claro muito discreto




na imagem seguinte vê-se mais detalhe junto a Macau



A solução ponte-túnel-ponte é a existente em Chesapeake Bay nos E.U.A. ou para unir Copenhaga a Malmo através do estreito de Sund.

Por curiosidade fui verificar se existia “Street view” em Macau, Hong-Kong e resto da China e ao tirar o homenzinho do sítio de descanso no Google Earth para seleccionar umlocal para ver o street view, apareceram-me Macau e Hong-Kong completamente a azul, dado que estava num ponto de observação de grande altitude e os riscos azuis das ruas desses territórios formavam uma mancha azul contínua, à excepção de pequenas áreas verdes, conforme se constata na imagem seguinte



Nesta altura em que estando familiarizado com a língua inglesa se acede em quase todo o planeta a informação geográfica, fotográfica e textual constata-se que a street view não está disponível no Google Earth na China, à excepção destes dois territórios cuja extensão é praticamente definida pelas manchas azuis.

Tentei usar o Baidu (aplicação chinesa aqui: https://map.baidu.com/), constatei que tem um mapa detalhado de Lisboa, mas não consegui activar a street view, os ícones não eram muito expressivos para mim e o meu domínio dos ideogramas é claramente insuficiente.

Constatei também que o zoom in-out do Baidu não tem ainda a suavidade do movimento do Google Earth.

Adenda: consegui usar o "street view" no Baidu, afinal não é tão difícil assim contudo ainda está longe da suavidade das transições do Google Earth. E a cobertura dentro das cidades chinesas é ainda muito esparsa.

2018-01-22

Identificação de WC em Jan/2018




Vi esta imagem no 2 Dedos de Conversa, fui à procura dela no Google Images e só a encontrei aqui.

Às vezes recebo power-points com identificação de portas de WC em vários países que podem ser reveladores das culturas locais ou de outros tempos. Na Idade Média na Europa talvez trocassem os símbolos destas portas.

No ImagenscomTexto referi uma identificação de WC aqui.


2018-01-16

Sapiens, Parte IV : A Revolução Científica


(Parte I, Parte II e Parte III em posts anteriores)


Os subtítulos desta parte são eloquentes:
- A Descoberta da Ignorância
- O casamento entre a Ciência e o Império
- O Credo Capitalista
- As Engrenagens da Indústria
- Uma Revolução Permanente
- E Viveram felizes para sempre
- O Fim do Homo sapiens

Esta parte começa muito bem chamando a atenção para a “Descoberta da Ignorância” como um dos factores mais importantes para o arranque da revolução científica que teve lugar nos últimos 500 anos. De facto “as tradições de conhecimento pré-modernas como o islão, o cristianismo, o budismo e o confucionismo garantiam que tudo o que era importante saber sobre o mundo já era conhecido”, designadamente através dos livros sagrados, e o que lá não constava acabava por ser irrelevante. Depois a importância do tratamento quantitativo dos fenómenos e do uso da matemática. Finalmente o conceito de que qualquer teoria científica pode ser posta em causa pela descoberta de novos fenómenos ou de melhores teorias.

Em 1500 existiam 500 milhões de Homo sapiens no planeta. Hoje existem 7000 milhões, 14 vezes mais. Em 1500 o consumo de energia per capita seriam 26kcal/dia. Actualmente serão 230kcal/dia, o consumo/capita aumentou 8,8 vezes. Como existem 14 vezes mais habitantes o consumo de energia diário de toda a população humana aumentou nestes 500 anos cerca de 124 vezes.

O autor refere várias explicações para a expansão mundial dos impérios europeus e o seu predomínio sobre a Ásia estabelecido entre 1750 e 1850, da importância do conhecimento científico para a superioridade industrial e militar da Europa e da importância do credo capitalista na expansão da actividade económica.

Nas Engrenagens da Indústria a ética capitalista e consumista é assim resumida: “Enquanto na Europa medieval os aristocratas gastavam o seu dinheiro sem qualquer critério em luxos extravagantes e os camponeses viviam frugalmente, agora os ricos têm imenso cuidado a gerir os seus activos e investimentos, enquanto os menos abastados contraem dívidas ao comprar carros e televisões de que não necessitam realmente”.

Na Revolução Permanente refere estes números interessantes: a totalidade dos seres humanos tem uma massa de cerca de 300 milhões de toneladas. Já os animais domésticos (vacas, porcos, ovelhas e galinhas) compõem 700 milhões de toneladas enquanto os grandes animais selvagens ainda existentes, dos pinguins aos elefantes e baleias, não passam dum 100 milhões de toneladas.  Parece assim que o nosso problema não é tanto a falta de energia como o enorme impacto ecológico da nossa espécie. Existe também uma aceleração da velocidade das mudanças e o eterno problema da Felicidade.

Mas este resumo já vai longo, o melhor é lerem o livro.

Deixo uma imagem da central solar fotovoltaica de Serpa, numa foto de 2007. Desde essa altura os preços dos painéis fotovoltaicos desceram tanto que deixaram de precisar de subsídios para fornecerem energia eléctrica a preços do mercado ibérico de electricidade.



2018-01-12

Sapiens, Parte III : A Unificação da Humanidade


(Parte I e Parte II em posts anteriores)

Cada cultura está em permanente evolução, tentando reconciliar as contradições que nelas existem sempre.

Existe também um sentido na história, culturas pequenas e simples fundiram-se gradualmente em civilizações maiores e mais complexas. Este sentido geral não garante uma evolução sem retrocessos nem a ausência de um apocalipse.

Actualmente quase todos os seres humanos partilham o mesmo sistema geopolítico (organização em estados internacionalmente reconhecidos), económico, legal e científico se bem que exista grande heterogeneidade em cada uma destas áreas.

Esta unificação fez-se através do dinheiro (e comércio), dos impérios e das religiões. Estas três realidades unificaram a humanidade sem que nenhuma delas tenha até agora conseguido excluir completamente qualquer uma das outras duas. A análise que o autor faz  é muito interessante, designadamente ao apontar os lados positivos dos impérios de que ultimamente só se apontam os lados negativos. Nas religiões refere o animismo, o politeísmo que originou o monoteísmo e o dualismo. No primeiro milénio AC apareceram religiões pré-modernas “da lei natural” que dispensavam os deuses como o taoismo e o budismo. Nos últimos 300 anos surgiram novas religiões das leis naturais tais como o liberalismo, o comunismo, o capitalismo, o nacionalismo e o nazismo. Acho interessante esta classificação na categoria de religiões do que se costuma chamar “ideologias”. De facto requerem uma fé num conjunto de crenças que são praticamente impossíveis de verificar, sendo dificilmente “falsificáveis” no sentido que Karl Popper dava às teorias científicas.

Esta parte conclui com duas teses principais:
- existe um lado caótico muito importante na evolução da humanidade, há decisões que são tomadas cujas consequências são impossíveis de prever na totalidade e que por vezes são impossíveis de reverter;
- a evolução não é feita necessariamente em benefício dos seres humanos, mesmo que estes tivessem esse objectivo.

Termino esta parte com uma imagem (tirei a foto em 2004) da cabeça duma estátua do imperador romano Constantino, que deve ter feito parte duma estátua gigante, actualmente no Museu Capitolino em Roma



A adopção do cristianismo como religião do império romano pertence ao tipo de decisões com consequências incalculáveis para o futuro da época em que foi tomada.

2018-01-10

Sapiens, Parte II : A Revolução Agrícola


(Parte I em post anterior)

Depois de durante milhões de anos os seres humanos terem vivido como caçadores-colectores o homo sapiens iniciou há cerca de 10000 anos a revolução agrícola, passando a cultivar plantas e domesticar animais.

Este novo tipo de vida foi iniciado de forma independente em sete ou mais regiões localizadas em vários continentes, sobretudo devido à existência de espécies vegetais e animais adequadas para o efeito.

O autor tem muitas reservas sobre a real vantagem da qualidade de vida do agricultor em relação à do caçador-colector. Se bem que as comunidades de caçadores-colectores tivessem os seus problemas, designadamente na incapacidade de apoiar crianças frágeis ou idosos dependentes, não estavam expostas a epidemias dada a sua baixa densidade, nem eram tão vulneráveis a catástrofes naturais como secas ou inundações pois quando faltava um tipo de alimento costumava ser possível encontrar alternativas. E não era preciso trabalhar tanto!

A principal vantagem (ou característica) da agricultura foi tornar viável um enorme aumento da população, por volta de 10000 AC a Terra seria habitada por 5 a 8 milhões de recolectores nómadas. No primeiro século depois de Cristo existiriam 1 a 2 milhões de recolectores mas 250 milhões de agricultores.

A possibilidade de um agricultor produzir mais do que consumia possibilitou o aparecimento de maiores desigualdades, a maior especialização em actividades produtivas não agrícolas, o desenvolvimento do comércio, de produtos luxuosos e a formação de grandes exércitos. E também de grandes cidades.

Para tudo isto é necessário criar uma ordem imaginada da sociedade, de que o Código de Hamurabi é um exemplo.

Vi primeiro esta imagem neste artigo da BBC

 A.Layard ( – Palácios de Assurbanípal (668-627 AC)

em que falava das descobertas arqueológicas do império assírio no século XIX e das ameaças do Daesh à sobrevivência de algumas delas. No sítio da Khan Academy esta imagem aparece aqui sendo considerada fantasiosa e influenciada pelos conhecimentos que existiam da arquitectura Greco-Romana.

Mesmo assim a imagem dá ideia de uma aglomeração imensa de seres humanos, nesta altura a viverem em habitações cuja arquitectura monumental não favorecia a família nuclear mais comum nos nossos dias. Tudo isto foi tornado possível pelos excedentes dos produtores agrícolas.

É por esta altura que aparece a escrita, inicialmente como forma de registo de quantidades, sobretudo para cobrar impostos.

É ainda nesta parte do livro que são descritas as diversas injustiças que têm ocorrido nas sociedades humanas desde a revolução agrícola, tais como as classes, as castas, o racismo, a opressão da mulher, a escravatura, etc.,  bem como as várias teorias antropológicas que explicam em parte o seu aparecimento.

2018-01-09

Depois do Natal


Cheguei a este filminho por uma referência do jornal Expresso, é preciso recuperar a linha nesta época:



2018-01-06

Prado dos Olivais


Às vezes digo que em Lisboa não existe um Inverno propriamente dito, é mais um Outono frio e eventualmente húmido como aconteceu na passada quinta-feira e nos últimos dias , conforme se pode constatar neste prado dos Olivais, muito viçoso, até com dois cogumelos.




2018-01-03

Um alerta ao Mundo do António Guterres


O Secretário-Geral das Nações Unidas enuncia as suas preocupações com o mundo na mensagem de Ano Novo



Bem vistas as coisas, não me lembro de um único ano em que não existissem motivos de preocupação com a situação existente em alguma parte do planeta, quer guerra em curso, quer guerra à vista, quer crise político-económica quer catástrofe natural.

Presumo que seja por as pessoas se preocuparem que muitas dificuldades vão sendo vencidas enquanto outras subsistem e umas novas vão aparecendo.

Como diria o António Guterres: É a vida!


2017-12-31

Bom Ano Novo!




Vi esta caixa numa montra de Bruxelas, em Nov/2014, talvez uns 60cm de largura, profusamente colorida. Não faço ideia do que continha, certamente estaria vazia, ao contrário do ano de 2018 que certamente nos reserva muitas surpresas.

Faço votos para que na maioria sejam boas!

2017-12-30

Dezembro na beira-rio


Para não deixar o mês de Dezembro sem fotos da época aqui deixo duas tiradas no Parque da Nações hoje, em que não se vê onde a água acaba e o ar começa




Plantas em Lisboa



A imagem  de cima foi tirada no Parque das Nações, no jardim Garcia da Orta em 7/Mai/2017. Lembrei-me de a colocar aqui para mostrar a exuberância destas plantas que associamos à s regiões tropicais.


No programa "Grande Entrevista" da RTP o António Mega Ferreira contou que quando Santiago Calatrava veio a Lisboa apresentar o esboço preliminar para a Estação do Oriente passou antes uma ou duas semanas em Lisboa para sentir o ambiente da cidade como preparação para o projecto.

Na apresentação que fez depois à administração da Expo98 mostrou dezenas de imagens com as árvores de Lisboa, concluindo que agora lhe parecia inevitável que a Estação devia ser constituida por uma floresta de árvores estilizadas, como acabou por acontecer.

Os assistentes ficaram algo surpreendidos pois é lugar comum dizer que faltam espaços verdes em Lisboa constatando que afinal sempre existem e ficaram rendidos ao projecto.

Lembro-me duma escritora portuguesa uma vez ter dito que em Lisboa só existiam pedras, seria um momento de pior disposição ou a deformação profissional de alguém que precisa de chamar a atenção dos leitores usando hipérboles.

Aqui ao lado mostro uma pequena inflorescência que fotografei nos Olivais Sul em 4/Jun/2017, não sei o nome desta planta. Ao procurar no Google Images já obtive imagens de inflorescências visualmente parecidas a esta mas ainda diferentes.

A árvore em flor que segue é uma foto de 25/Jun/2017 tirada na Rua Cidade de Benguela, no tempo quente uma pessoa acaba por sair mais de casa e fotografar as plantas


E finalizo com uma imagem do Campo Pequeno, em 28/Set/2017, já no início do Outono mas ainda muito Verão



2017-12-29

Sapiens, Parte I : A Revolução Cognitiva



Gostei muito de ler o livro Sapiens de Yuval Noah Harari, professor de História na Universidade Hebraica de Jerusalém. O subtítulo História Breve da Humanidade é adequado (ou melhor, merecido) pois consegue, nas suas cerca de 500 páginas da versão em português, uma síntese notável do que o Homo Sapiens tem realizado.

O livro divide-se em 4 partes intituladas “A revolução cognitiva”, “A revolução agrícola”, “A unificação da humanidade” e a “Revolução científica”.

Mais do que um resumo do livro refiro os pormenores que mais me impressionaram.

Para começar a constatação que o Homo Sapiens é a única espécie do género Homo, todas as outras se extinguiram ou foram extintas, sendo o Sapiens o principal suspeito.

Depois, a continuação do aprofundamento do estudo da Pré-História, através das técnicas de datação e de identificação de ADN de vestígios que vão sendo descobertos nos mais variados locais do planeta.

Vão-se acumulando evidências, já referidas por Jared Diamond, do papel do Sapiens nas extinções das megafaunas americana e australiana, iniciadas quando chegou a estes continentes. Estima-se que há 70000 anos existiriam cerca de 200 géneros de grandes mamíferos terrestres com mais de 50 quilos. Quando se iniciou a revolução agrícola há 12000 anos não existiriam mais do que 100.

A “revolução cognitiva” que se desenvolveu entre 70000 e 30000 anos atrás, refere-se à criação do que actualmente se considera a Cultura de uma comunidade, com as suas crenças, práticas, lendas e mitos, tendo estas últimas segundo o autor um papel crucial viabilizando a cooperação de grandes grupos de seres humanos, dando-lhes uma vantagem decisiva sobre as outras espécies. Por exemplo os chimpanzés raras vezes conseguem constituir grupos com mais de 50 elementos, a partir desse valor o grupo torna-se instável e parte-se em dois ou mais subgrupos.

A transmissão da Cultura é muitíssimo mais rápida do que a incorporação de características inatas através do ADN, possibilitando adaptações muito rápidas a alterações do meio envolvente, quer no tempo quer no espaço.

O autor mostra bastante simpatia pelo estilo de vida dos caçadores recolectores que, pelos exemplos das comunidades ainda existentes, possuíam um conjunto importante de conhecimentos sobre as plantas e os animais que lhes permitiam viver sem precisar de trabalhar tanto como os agricultores que lhes sucederiam.

Este texto já vai longo, vou deixar o resto para outro(s) post(s).


2017-12-27

Balões bomba japoneses




Através deste obituário do soldado americano Clarence Beavers do jornal Expresso tomei conhecimento da existência de uma unidade do exército americano que teve como uma das tarefas apagar incêndios florestais, sobretudo na Califórnia, causados por balões incendiários lançados pelo Japão durante a segunda grande guerra.

A notícia tem aspectos muito curiosos, começando pela capacidade do Japão explorar a existência de  correntes de jacto (jet streams), que são correntes de ar que ocorrem entre os 9 e os 12 km de altitude, com velocidades que podem atingir 160km/h e que entre os 30 e 60 graus de latitude sopram de oeste para leste, para bombardear os EUA.

A existência destes ventos afecta bastante os tempos de viagem intercontinentais, por exemplo da Europa para a América do Norte ou para o Extremo-Oriente. Tendencialmente as viagens para leste são mais breves para igual distância (ou gastam menos combustível) mas como estas correntes de ar são instáveis criam incerteza na hora de chegada ao destino.

Diziam que um balão destes demorava 3 dias a percorrer a distância desde o Japão até à costa oeste dos EUA. No Google Earth vi que da ilha mais ao norte do Japão até ao norte da Califórnia são 7200km, até Los Angeles 8000km. Dividindo 7200km por 3 dias dá 2400km/dia, com uma velocidade média de 100km/h o balão conseguiria fazer a viagem em 3 dias.

Os balões eram de hidrogénio e causaram alguns incêndios na costa Oeste. Contudo os jornais americanos contactados pelas autoridades, após uma ou duas notícias sobre balões misteriosos, autocensuraram-se com grande êxito provocando o abandono do programa por parte do Japão pois os estragos provocados pelos balões não eram visíveis nos jornais.

A seguir mostro uma foto de um destes balões, recuperado pela Marinha dos EUA, com uma figura humana ao lado dando a escala


Curiosa também a existência de uma espécie de apartheid no exército americano, com unidades compostas exclusivamente por negros. Pensei que em Portugal não existia esta situação mas depois constatei que na "metrópole", no início da última guerra colonial, os negros que existiam eram os cabo-verdianos que tinham começado a vir trabalhar para as obras para substituir a  mão-de-obra que emigrara para França. Assim, os batalhões mobilizados para a Guiné-Bissau, onde eu estive durante um ano, eram formados na metrópole e não me lembro de ver pessoas de cor.

Na Guiné existiam os "Comandos africanos" unidades militares compostas por guineenses e possivelmente cabo-verdianos, provavelmente enquadradas por oficiais da metrópole.

Se Portugal fosse um Estado Unitário, como nos queriam fazer crer na disciplina de "Organização Política e Administrativa da Nação", os jovens recrutas de todo o Império deveriam ir prestar o serviço militar obrigatório em sítios diferentes da terra em que tinham nascido, como se fazia dentro da metrópole. Não faço ideia das regras seguidas em Angola, Moçambique etc., mas sei que não havia mistura significativa de colónia para colónia, muito menos para a metrópole.

É também curioso notar como o Pacífico não é uma separação tão grande como parece à primeira vista, que a primeira arma de alcance intercontinental foram estes balões japoneses e que próximo do Japão se situa a Coreia do Norte, que pretende ameaçar os EUA, desta vez com mísseis de alcance intercontinental.

E ainda que a Califórnia tem tido neste ano incêndios de proporções enormes devido principalmente a alterações climáticas cuja principal responsável tem sido a nação americana.

2017-12-24

Feliz Natal


Esta época natalícia é propícia para se revisitar obras de arte envolvendo a Nossa Senhora e o Menino Jesus

Desta vez mostro uma representação da Senhora e Menino dum mosaico bizantino do século VI existente na Angeloktisti em Chipre, de autor desconhecido



e o mesmo tema 1500 anos depois, numa interpretação de George Kotsonis



Desejo a todos os leitores deste blogue um Feliz Natal e um Bom Ano Novo 2018.


2017-12-23

Trabalhar muito menos



Os leitores regulares deste blogue sabem que considero que os horários de trabalho em Portugal são excessivos e que é um erro tremendo tentar aumentar a produtividade aumentando o número de horas que se trabalha. Como já disse noutra ocasião, aumentar o numero de horas de trabalho por semana é o caminho para o beco sem saída pois uma semana tem 168 horas (como diriam os ingleses “tem 168 horas, tem 168 horas”). Pode-se e deve-se ter flexibilidade para enfrentar picos de trabalho mas a produtividade deve ser aumentada aumentando a eficácia com que se realizam as tarefas.

Existem muitas formas de aumentar a eficácia, uma forma simples é aumentando o investimento, um trabalhador com melhores ferramentas de trabalho e com formação adequada à tarefa que desempenha terá maior produtividade. É sobretudo por este motivo que os trabalhadores de países com maior produtividade são mais produtivos

Outra forma é inovar a forma como se trabalha e para esse fim é necessário ter algum tempo disponível para pensar em formas de melhorar a execução das tarefas que se desempenha ou descobrir novas aplicações mais proveitosas para as capacidades que se foram adquirindo nas tarefas actuais.

Recentemente li um artigo da BBC intitulado “The compelling case for working a lot less” e fiquei satisfeito de esta ideia ir fazendo o seu caminho, se bem que muito mais devagar do que deveria.

Termino com esta imagem, tirada em 26/Dezembro/2014, num momento em que me dedicava a contemplar o crepúsculo evoluindo suavemente à Beira-Tejo, ao pé da ponte Vasco da Gama.




2017-12-16

Hydrofoils


Hydrofoils talvez em português se deva dizer "hidroasas", trata-se de embarcações cujas asas imersas, quando em movimento,  fornecem sustentação para elevar o casco até uma posição fora de água, diminuindo assim consideravelmente a resistência ao movimento. Não gosto do termo brasileiro "hidrofólio".

Como habitualmente a versão inglesa da entrada na Wikipédia é muito mais completa do que a portuguesa. A história do uso destas asas submarinas em embarcações remonta a 1906, com um protótipo italiano construído por Enrico Forlanini a atingir a velocidade de 68 km/h no lago Maggiore no norte de Itália. Alexander Graham Bell também se interessou por esta novidade tendo feito alguns protótipos.

Além de aplicações desportivas e militares os hydrofoils têm tido aplicação no transporte de passageiros em águas pouco agitadas para distâncias de algumas dezenas de quilómetros como por exemplo nas carreiras entre Macau e Hong-Kong onde percorrem os 60 km de distância numa hora.

Boa parte dos barcos usados nesta ligação foram produzidos pela Boeing, com a designação de Jetfoils, como este TurboJet hydrofoil Cacilhas no porto de Hong Kong, visto de um ferry dessa cidade


e fotografado por Daniel Case (Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=29524510).

Mas interessei-me agora pelos hydrofoils ao receber este vídeo intitulado "The America's Cup AC75 boat concept revealed"



A Taça América (America's Cup) é uma regata de barcos à vela que se realiza de 4 em 4 anos desde 1851. O detentor da taça, vencedor da última regata, tem o direito de especificar as características dos barcos que irão participar na próxima regata. Os barcos com essas características pertencerão a uma classe que neste caso foi designada AC75, AC para "America's Cup" e 75 porque as embarcações terão 75 pés de comprimento (23,86m). O filme descreve as especificações da classe AC75 que será usada na 36ª prova a realizar em 2021 em Auckland, na Nova Zelândia.

Durante muito tempo, de 1958 a 1987, os barcos desta prova tinham um comprimento de 12 metros, de 1992 a 2007 usaram-se barcos de 25 metros. De então para cá as características dos barcos para esta competição têm tido especificações diferentes em cada 4 anos, tendo sido especificados catamarans havendo agora um regresso ao monocasco. Ao longo de todo esse tempo, quando vejo imagens da prova, acho sempre os barcos lindíssimos.

Depois de ver este filme chamou-me a atenção outro sobre windsurf usando hidrofoil que se pode ver aqui



e depois ainda estes para surfar as ondas



Trata-se de protótipos, não é certo que os  hidrofoils se generalizem.

2017-12-09

Kindred Spirits, Irlandeses e Tribo Choctaw


Li neste artigo da BBC de Jun/2017 “Sculpture marks Choctaw generosity to Irish famine victims” o significado deste monumento feito pelo artista Alex Pentek, construído em Midleton, Cork council, Irlanda, fotografado por Andrew Foley,



intitulado Kindred Spirits, um termo da língua inglesa para designar um par de pessoas (neste caso um par de povos) que formaram uma ligação especial pela partilha de uma experiência traumática que os juntou.

Em 1847 a tribo Choctaw vivendo nos EUA enviou uma  contribuição monetária para aliviar o sofrimento dos irlandeses dizimados pela fome, provocada por sucessivas colheitas falhadas de batata, principal alimento dos irlandeses pobres, que matou 1 milhão de pessoas e levou 2 milhões a emigrar, grande parte  para os EUA.

A tribo tinha sido obrigada pelas autoridades americanas há cerca de 16 anos a abandonar as suas terras, tendo que o fazer a pé numa viagem de mais de 1600km onde boa percentagem morreu. A tribo Choctaw sentiu empatia pelas provações por que estavam a passar os irlandeses e quis ajudá-los.

Segundo ainda o artigo da BBC, “O governo britânico, que na altura governava toda a ilha, não forneceu ajuda, em parte devido à doutrina económica de laissez-faire e em parte devido à crença que a fome tinha sido enviada por Deus para melhorar a Irlanda, segundo Charles Trevelyan; o administrador britânico encarregado da ajuda”.

Este episódio é frequentemente referido nas escolas irlandesas mas não existia ainda um monumento a comemorar esse gesto de solidariedade.

Outras fomes catastróficas foram estudadas por Amartya Sen no livro “Poverty and Famines, An Essay on Entitlement and Deprivation” que eu referi aqui de onde extraí este parágrafo:
«
Uma das teses interessantes de Amartya Sen é que nas democracias não se morre à fome porque os governantes têm pressões fortes para não deixar morrer os seus eleitores. Que isto sirva de consolação às pessoas que se sentem um bocado cansadas dos defeitos dos regimes democráticos.
»

Deixo ainda outra foto do mesmo monumento, fotografado por Brian McAleer




2017-12-03

Como fazer o nó dos atacadores dos sapatos


Vi algures uma referência a este vídeo sobre como apertar os atacadores dos sapatos:



Vi o filminho com alguma reserva mas decidi experimentar a sugestão pois os atacadores dos meus sapatos desatam-se com alguma facilidade, sobretudo agora que uso mais sapatos tipo "de vela" pois a maior parte do tempo usava sapatos de pala sem atacadores.

Tenho dificuldade em seguir exactamente os movimentos da construção do nó mas pareceu-me que eu fazia o nó do tipo "fraco". Assim, inverti o movimento que fazia anteriormente e pareceu-me que tinha passado a fazer o nó do tipo "forte".

Andei durante alguns dias com os sapatos e parece-me que o novo nó demora muito mais tempo a desfazer-se do que o que eu anteriormente fazia.

Vivendo e aprendendo, mesmo que muito tarde, como aconteceu no meu caso.

2017-11-26

Flores nas pedras


Vi estas flores no Parque das Nações em Lisboa, nas pedras de protecção do passeio à beira-rio a norte da torre Vasco da Gama



a mesma imagem depois de zoom