quarta-feira, 16 de Julho de 2014

A cica, um ano depois


Este ano a cica, que referi há um ano e há 8 meses, voltou a ter novas folhas e parece em bom estado


sábado, 12 de Julho de 2014

terça-feira, 8 de Julho de 2014

Comer sózinho


A grande maioria dos restaurantes que vi no Japão eram "normais", no sentido de terem mesas onde as pessoas se sentavam em grupos de duas ou mais pessoas, com as cadeiras à volta das mesas.

Mas neste restaurante em Quioto as pessoas tinham um pequeno tabique à frente, presumivelmente para tornar a refeição mais privada, dificultando o contacto visual:



e nesta parte de um MacDonalds os clientes pareciam estar de castigo:

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Flores à beira de lago


No  jardim Leste do palácio imperial em Tóquio


domingo, 29 de Junho de 2014

Declaração de Humanidade


Em Tóquio está o “Meiji Shrine”, em português “Santuário Meiji”, um parque cheio de árvores como esta



de que mostro detalhe




no meio da cidade, onde repousam os restos mortais do imperador Meiji.

A dinastia Yamato de imperadores do Japão é a mais antiga do mundo inteiro, existindo provas da sua existência ininterrupta desde há 1500 anos e alegações de que existe desde 660 AC (Wikipedia dixit). 

Num período de tempo tão grande o papel do imperador foi mudando, umas vezes mais executivo, outras vezes mais afastado do poder, como um monarca constitucional. De 1868 a 1912, situa-se a era Meiji em que o imperador, na sequência da abertura forçada dos portos do Japão aos estrangeiros, retomou um papel activo na condução da política e fomentou a introdução das técnicas ocidentais na sociedade japonesa.

No recinto existiam várias lanternas como esta


de que deformando obtive esta imagem


que a guia disse ser o símbolo do imperador do Japão.

Tive a ilusão de classificar o grafismo, na sua simplicidade geométrica, como um exemplo de Art Déco, mas neste artigo dão a entender que a forma deste selo do imperador, duma flor estilizada com 16 pétalas já é usado há vários séculos. A bandeira do imperador tem o selo sobre um fundo vermelho. Estas formas fizeram-me lembrar estas.



Ao mesmo tempo que se desenrolavam umas cerimónias shintoístas em que as crianças manifestavam, como nas igrejas cristãs, interesses diferentes dos adultos,




noutra parte do recinto um grupo de pessoas vinha,ao que presumo, mostrar o seu respeito pelo imperador Meiji.




Este formalismo é realmente exótico, não existem túmulos em Portugal onde as pessoas vão fazer uma vénia, ainda por cima vestidas tão formalmente. O nome de “santuário” para designar um local onde está o túmulo dum imperador dá a entender que o local é mais do que um mausoléu de uma pessoa importante, trata-se de um local sagrado.

Enquanto numa religião monoteísta o rei só pode aspirar no máximo a ser o representante de Deus na terra, reivindicando mesmo assim poderes absolutos, em religiões politeístas como no shintoísmo o rei ou imperador pode-se habilitar a ter mesmo um estatuto divinal.

Esse estatuto deve ter contribuído para que o imperador Hirohito não tenha sido julgado pelas suas responsabilidades no comportamento agressivo do Japão que culminou nas atrocidades cometidas na invasão e ocupação de muitos países da Ásia antes e durante a 2ª grande guerra mundial. Porém o comandante supremo das forças aliadas, general MacArthur exigiu do imperador uma “Humanity Declaration”:
«
Delivery of this rescript was to be one of Hirohito's last acts as the imperial sovereign. The Supreme Commander Allied Powers and the Western world in general gave great attention to the following passage towards the end of the rescript:
朕ト爾等國民トノ間ノ紐帯ハ、終始相互ノ信頼ト敬愛トニ依リテ結バレ、單ナル神話ト傳説トニ依リテ生ゼルモノニ非ズ。天皇ヲ以テ現御神トシ、且日本國民ヲ以テ他ノ民族ニ優越セル民族ニシテ、延テ世界ヲ支配スベキ運命ヲ有ストノ架空ナル觀念ニ基クモノニモ非ズ。
The ties between Us and Our people have always stood upon mutual trust and affection. They do not depend upon mere legends and myths. They are not predicated on the false conception that the Emperor is divine, and that the Japanese people are superior to other races and fated to rule the world. (official translation)

»

Existem algumas dúvidas sobre a qualidade da tradução oficial, mas esse é o destino de todas as traduções bem como de todas as interpretações de textos.

É verdadeiramente extraordinário que um homem venha dizer que não é divino, reconhecendo a sua natureza humana.

Para pessoas comuns como eu as dúvidas sobre a minha natureza humana só se têm manifestado na internet, sob a forma de suspeitas de que eu seja um robot.

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Ikebana


Como em muitas outras coisas os japoneses também são perfeccionistas nos arranjos florais.


O suporte para as flores não costuma ser um recipiente cilíndrico ou cónico, ao contrário das jarras comuns no ocidente e as flores, embora importantes, não são tão dominantes no arranjo como se constata aqui





mas usar jarras "cilíndricas" não é proibido:



embora as taças largas e baixas  (como a que segue) recorendo ao "kenzan" sejam mais frequentes





quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Salada de atum


A propósito do tempo quente, antes que passe:



Leito de alface,  6 rodelas de pepino nos vértices de um hexágono sobre as quais se colocam 6 rodelas de ovo cozido, meia lata de atum aos bocadinhos entre as 6 rodelas, com um pouco de maionese em cima de cada pedacinho de atum, 3 ou 6 azeitonas, 1/4 de maçã Granny-Smith (ou outra) cortada aos bocadinhos e colocada no centro, para onde vai também o que sobrou das 6 rodelas de ovo. Mais um pouco de maionese no centro.


domingo, 15 de Junho de 2014

Adeptos de futebol


Não sou adepto de futebol, conforme disse aqui citando um texto do Umberto Eco, mas hoje ao passar pelo site da BBC, fui surpreendido por esta imagem de espectadores da final do campeonato do mundo de 1950, realizado no Brasil, em que este perdeu para o Uruguai por 1 a 0.



O tempo vai passando e uma pessoa esquece-se de como as coisas eram. Neste caso não consegui ver uma única mulher na foto, ir ao estádio de futebol ver um jogo era uma actividade reservada exclusivamente aos homens, assim como ir ao café à noite, etc. Não se vêem cabelos compridos e os bigodes eram mais frequentes.

O outro pormenor são os dois homens engravatados que aparecem em primeiro plano. São uma minoria mas há muitos que têm casaco. Houve um tempo em que os homens da classe média andavam sempre engravatados, durante a semana com fato completo eventualmente incluindo colete, ao fim-de-semana com o que então se chamava um "fim-de-semana" em que o casaco podia ser de "fantasia", com uns padrões menos mortiços do que nos dias de trabalho.

Depois fui à procura de uma foto do campeonato mundial em curso, encontrei esta (enfim, o Google encontrou-a por mim), num jornal do Canadá.




As mulheres são agora uma pequena minoria mas já existem. E não se vêem gravatas.

domingo, 8 de Junho de 2014

θέατρο


Quando vou à Grécia um dos meus passatempos frequentes é tentar decifrar as palavras escritas com o alfabeto grego que me vão aparecendo.

Não sei grego mas na Matemática e na Física fui usando a quase totalidade do alfabeto grego, além dos parâmetros que iam aparecendo na matemática, como os coeficientes α (alfa), β(beta), γ(gama), δ(delta), os ângulos que muitas vezes eram designados por θ(teta), as quantidades pequenas que costumavam chamar-se ε(epsilon) e também na física onde  havia o τ(tau) que costumava designar o tempo e o ρ(ró) para a densidade de carga eléctrica. A wikipédia tem naturalmente uma entrada sobre o alfabeto grego.

Por outro lado, muitas palavras da língua portuguesa derivam de palavras gregas, no liceu dizíamos que “ou vem do grego ou do latim”.

Neste caso temos um θ inicial seguido de um έ que faz pensar em “té” seguido de um α dando “té-á” a que se junta um τ passando a “té-á-t” e depois com o ρ a “té-á-tr” e com o omicron final (letra pouco usada em matemática dada a sua forma idêntica ao nosso “o”) fica “té-á-tró” ou melhor “teatro”!

Lembro-me ainda da alegria desta “descoberta” em Atenas, de que o edifício que estava á minha frente e que tinha este conjunto aparentemente incompreensível de símbolos, se tratava de um teatro!

Não garanto que as letras não estivessem em maiúsculas e então seria “ΘΈΑΤΡΟ”. Se colocarmos a letra θ no google tradutor e clicarmos no altifalante constatamos que a letra que os portugueses chamam por “teta” é chamada em grego “thita”, como se diria em inglês, onde a letra se chama “Theta”

Tenho a ideia que no teatro grego se usavam máscaras, que mostravam as emoções dos actores de forma bastante explícita. As que mostro a seguir são usadas no carnaval de Veneza e servem para ocultar caras e não para explicitar emoções.




Porque é que me lembrei agora de “Teatro”?

Foi por causa da surpresa manifestada, mais uma vez, pelo primeiro-ministro Passos Coelho pelas decisões do Tribunal Constitucional (TC). Bem sei que o actual presidente Cavaco Silva, quando primeiro-ministro disse que não lia jornais. Mas mesmo não lendo jornais, para quem viva em Portugal fora de um convento ou sem ser no alto de uma coluna, como alguns ascetas dos primeiros tempos do Cristianismo, é impossível ignorar a quantidade enorme de pessoas, muitas delas constitucionalistas, que consideravam muito provável que o TC chumbasse a maioria das medidas que lhe tinham sido submetidas para apreciação. O primeiro-minitro, como  mentiroso compulsive, gosta de fazer discursos em que finge acreditar no que está a dizer.

Às vezes penso que teria feito melhor em dedicar-se à representação, no teatro, no cinema ou nas novelas mas, pensando no Ronald Reagan ou no Arnold Schwarzenegger, essa via poderia não o afastar do papel de primeiro-ministro, para a escolha do qual os portugueses estão verdadeiramente a precisar de melhor escrutínio.

Em comparação, o processo de escolha dos juízes do TC, se bem que passível de melhorias, tem dado muito melhores resultados.

sábado, 7 de Junho de 2014

Normandia, 6 de Junho de 1944, The fallen 9000


Instalação feita numa praia da Normandia pelos artistas Jamie Wardley e Andy Moss em Setembro de 2013 para relembrar o desembarque dos aliados na Normandia em 6 de Junho de 1944, há 70 anos e um dia




Visto aqui, encaminhado por aqui.

segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Canteiros em Tóquio


Quando se apanha um jet-lag de 8 horas como de Lisboa para Tóquio, os sonos ficam muito baralhados.

Esta foto foi tirada às 05:41 hora de Tóquio, 21:41 do dia anterior hora de Lisboa. É por isso que nesta zona central, ao pé da estação de Shinbashi, não se vê vivalma.





A seguir mostro as plantas que se viam no fundo da imagem do lado direito





e outro caminho na mesma zona




Os Ginkgos Bilobas do lado esquerdo ainda estão no seu estado "natural". A intervenção decidida dos jardineiros japoneses sobre as árvores levou-me a ver Ginkgos Bilobas de todas as formas e feitios, que só consegui reconhecer pela forma inconfundível das suas folhas. A seguir parece-me que não há ginkgos




e achei interessante o uso desta sebe larga para assegurar que os peões só atravessam nas passadeiras.

Finalizo com uma sebe com flores, muito comum no Japão:





sexta-feira, 30 de Maio de 2014

"Floreira" em Tóquio


Este arranjo de plantas numa rua de Tóquio, como se se tratasse de um arranjo floral sem flores,  chamou-me a atenção


terça-feira, 27 de Maio de 2014

Mexilhoes gigantes


Fiz uma visita rápida ao mercado de peixe de Tóquio (Tsukiji), onde encontrei uns mexilhões com um tamanho que nunca tinha visto.

Aqui fica a imagem com uma mão, para dar a escala



e depois com a vista desimpedida




Na wikipédia fala aqui de mexilhões e aqui fala duma variedade deste bivalve, em risco de extinção, que pode aingir um metro e vinte centímetros! Não faço ideia se os mexilhões da foto são dessa espécie rara.

sábado, 24 de Maio de 2014

Tempo de reflexão


Não sei se as pessoas aproveitam este tempo de reflexão para ponderar melhor o sentido do seu voto.

Mesmo que não o façam, têm um dia sem propaganda eleitoral nos meios de comunicação de massa, o que me parece uma excelente ideia.

Para criar boas condições para reflexão ou mesmo meditação (não sei bem qual a diferença...) as imagens deste jardim japonês em Kamakura pareceram-me adequadas.










quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Eleições europeias


Se estiver com dúvidas em quem votar nas próximas eleições europeias este site pode ajudar:


http://euandi.eu/showHome.html

Vi este questionário pela primeira vez aqui:

segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Três árvores


Por motivos que ignoro gosto de fazer enquadramentos contendo 3 árvores. Foi o caso destes 3 choupos nos Olivais Sul




que por sinal foram abatidos já este ano e que mostrei noutro post deste blogue.

Foi ainda o caso destas 3 agaves




que embora não se tratem de árvores mas da Agave Americana, fazem lembrar representaçõe pictóricas de árvores chinesas ou japonesas, como se pode constatar nestas que fotografei no princípio deste mês nos jardins envolventes do palácio imperial de Kyoto no Japão, viagem que explica em parte a ausência de posts neste blogue nos últimos tempos



Houve uma altura em que pensei que as árvores qua apareciam nos quadros chineses ou japoneses eram representações estilizadas das árvores existentes na Natureza. A certa altura constatei que eram afinal representações bastante exactas das árvores desses países, que eram diferentes das existentes na Europa.

Agora constatei que afinal o aspecto estranho das árvores dessa zona do globo se deve mais a serem árvores de jardim onde são cuidadosa e repetidamente podadas para assumirem aquelas formas que são mais apreciadas pelos jardineiros da região, jardineiros que existem em número apreciável como se constata neste jardim também em Kyoto:




A realidade vai sendo apreendida por aproximações sucessivas ou como se dizia, vivendo e aprendendo...


quarta-feira, 30 de Abril de 2014

Filmes do Zhang Yimou



Costumo ver filmes de forma pouco distanciada, enquanto os vejo quase que esqueço que estou a ver  uma realidade fabricada, nem sempre fiel à realidade. Mesmo assim, ver filmes sobre outra sociedade pode ser uma forma de a conhecer um pouco melhor. Será provavelmente por isso que me interesso por filmes de culturas relativamente exóticas em relação a Portugal, como é o caso da cultura chinesa.

Com a hegemonia quase absoluta do cinema Americano é também uma forma de aceder a formas diferentes de fazer cinema, mesmo que inevitavelmente influenciadas por Hollywood.

Não sei se foi por ter ido a Macau duas vezes em 1990 e outra vez em 1993, coincidindo com a exibição frequente de filmes do realizador chinês Zhang Yimou, acabei por ver vários fiçmes deste realizador.

Na Wikipédia traz a lista dos filmes deste realizador aqui (com a versão em inglês incluindo pequena nota biográfica) de onde tirei este subconjunto que vi em Portugal:


Ano
Título em Chinês (pin yin)
Título em Português
1991
Da hong deng long gao gao gua
Esposas e Concubinas
1994
Huozhe
Viver
1994
Yao a yao yao dao waipo qiao
A Tríade de Xangai
2002
Ying xiong
Herói
2004
Shi mian mai fu
O Segredo dos Punhais Voadores
2006
Man cheng jin dai huang jin jia
A Maldição da Flor Dourada

Como se constata pelos anos de estreia dos filmes já os vi há bastante tempo, o que facilita a descrição tornando-a mais sucinta, dado que quase não consultei informação sobre os filmes.

O primeiro, com o título em português “Esposas e Concubinas”, trata das relações entre as várias esposas de um chinês rico por volta de 1920. É uma casa ricamente decorada mas com vidas infelizes das mulheres que as habitam, à espera que o senhor da casa as escolha para passar a noite. A casa é arquitectonicamente muito virada para dentro, claustrofóbica, os Portugueses parecem apreciar mais as casas com vista desimpedida.

No segundo filme, “Viver”, mostra as vicissitudes por que passa uma família vivendo na China durante o período da Revolução Cultural, tentando sobreviver às desgraças sucessivamente criadas pelo presidente Mao. A desenvoltura com que se tentaram na China caminhos diferentes do habitual, com consequências desastrosas, mostra aos mais distraídos as vantagens de existirem alternativas democráticas ao poder instituído.

No terceiro filme, “A tríade de Xangai”, um filme de gangsters, ficou-me a memória das traições e da enorme violência, coabitando com cenas de uma enorme beleza, mostrando mais uma vez que beleza e bondade são, como diria um matemático, variáveis completamente independents.

Os dois filmes seguintes, “Herói” e “O Segredo dos Punhais Voadores”, tratam de lendas e mitos da China antiga. Mais uma vez a beleza é avassaladora (e meço bem este adjectivo que acabo de verificar nunca ter sido usado até agora neste blogue). Outras memórias que ficam são as multidões de figurantes. Uma das grandezas da China consiste na possibilidade de dispor de multidões de seres humanos que se podem concentrar numa tarefa específica, como tapar o Sol com uma saraivada de flechas.

O ultimo filme que vi de Zhang Yimou, A Maldição da Flor Dourada” é sobre a vida na corte imperial, sobre histórias de traição e de crueldade. A traição da mulher (ou uma das) do imperador é descoberta por este que a obriga a ir bebendo um veneno de acção lenta às refeições. Mais uma vez uma história cruel em cenários claustrofóbicos de grande beleza, se bem que o cenário que mostro seja talvez excessivamente decorado. Reparem na ausência de vista para o exterior:




A personagem principal é a actriz Gong Li que teve uma relação professional e emocional intensa com o realizador.

Noutro sítio encontrei outra imagem da Gong Li nesse filme




Do pouco conhecimento que tenho da moda chinesa parece-me que a generosidade do decote do vestido da imperatriz será uma concessão ao gosto ocidental, não parece um costume chinês. 

domingo, 20 de Abril de 2014

A permanência dos cortes



Há bastante tempo que se anda a falar na eventual permanência dos cortes dos salários da função pública e das pensões, referindo pelo meio a necessidade da sustentabilidade do Estado social no geral e das pensões de reforma em especial.

Considerando o historial das afirmações dos actuais governantes deixei de considerar quer as suas promessas, quer as suas previsões, quer mesmo as afirmações que fazem, dada a elevada probabilidade de se revelarem falsas ou simplesmente mentiras intencionais para enganar os governados.

O argumento mais recente em relação às reformas consiste em afirmar que estas deverão ser alinhadas com a economia e com a demografia.

Como é evidente que as reformas têm de depender da economia, referir essa dependência é apenas uma figura de retórica para dizer que o seu valor nominal não pode ser fixo ou, como já existe o factor de sustentabilidade que diminui as reformas quando a esperança de vida aumenta, que este ajuste é insuficiente.

Quanto à demografia o critério parece-me completamente absurdo. Embora haja muita gente manifestando preocupação com a baixa natalidade existente em Portugal, gente que por vezes defende um conjunto de medidas como o corte de prestações sociais de apoio à natalidade, a facilidade do despedimento, a necessidade de estar disponível para mudar de residência frequentemente e eventualmente emigrar, factores de instabilidade familiar que contribuem negativamente para essa baixa natalidade, mesmo a baixa natalidade actualmente existente em Portugal é demasiada para a actual classe dominante que não consegue empregar uma parte muito significativa dos jovens que vão chegando ao mercado de trabalho. Se existe esta forte incapacidade de empregar os jovens que temos, para que serviria aumentar o seu número?

Finalmente em relação à permanência de cortes que o governo pretente definir, inquieta-me a curiosidade doentia que os elementos do PS têm manifestado em relação a esses cortes, sobretudo pela ausência duma afirmação clara de que este governo não pode estabelecer nesta área de actuação medidas permanentes para além das legislaturas em que obtiver o mandato popular. O PS deveria afirmar claramente que quaisquer medidas designadas abusivamente como permanentes serão devidamente analisadas e corrigidas ou anuladas quando chegar ao governo.

Toda a permanência é relativa. Uma das pirâmides de Gisé que mostro a seguir tem permanecido durante milhares de anos, seguramente muito mais tempo do que as leis produzidas por este governo. Mas mesmo esta pirâmide não conseguiu permanecer inalterada ao longo da sua existência.


segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Mulher sobre flor de lótus e Tai Chi Chuan


O tempo passa depressa, em Setembro de 2007 encontrei esta imagem num poster em Praga e desde o início deste blogue em Março de 2008 que penso de vez em quando em fazer um post sobre ela



Gostei da imagem, uma composição onírica com uma mulher sobre uma flor de lótus gigante flutuando sobre água. Parece-me quase inevitável que um ocidental se lembre imediatamente do quadro de Boticelli “O nascimento de Vénus”, em que a deusa do amor surge de uma concha, também rodeada de água, que mostro a seguir e que fui buscar à Wikipédia




A água é fonte da vida, os chineses estão mais virados para as águas interiores, os lagos de água doce onde crescem as flores de lótus, os gregos estavam mais ligados ao Mediterrãneo, de água salgada onde existem as conchas.

Em Outubro de 2007 fui à procura da imagem do poster com a ajuda do Google Imagens, para ver se percebia melhor o seu significado. Acabei por encontrar este site de que dou uma ligação em inglês, tratando-se de um instituto que dá aulas de artes marciais e de exercícios de vários tipos de ginástica chinesa. Esta foto é usada para anunciar lições de algumas técnicas de Tai Chi Chuan, a ginástica matinal praticada em grupo, nos jardins das cidades, por milhões de chineses e aqui fica uma imagem desse site, igual à do poster mas com melhor qualidade.




Fiquei fã do Tai Chi Chuan desde que o vi praticar pela primeira vez em Macau há muitos anos, cheguei a comprar um livro e uma cassete de video para iniciar a prática. Infelizmente o livro e a cassette eram de escolas diferentes, cada uma ciosa da sua técnica, tendo eu apenas imitado a parte muito inicial da lição da cassete de video, continuando a considerar esses movimentos de enorme beleza e elegância. Durante uns dois ou três anos a C.M.L. disponibilizou cursos de Tai Chi Chuan aos domingos de manhã, na Quinta Pedagógica dos Olivais, de Abril a Julho. Infelimente esses cursos já não foram ministrados o ano passado nem este ano.

Andei à procura no youtube de classes de Tai Chi e escolhi este, parece-me que da cidade de S.Francisco, que dá uma ideia da natureza dos exercícios:



terça-feira, 8 de Abril de 2014

Passeios nos Olivais Sul


Os Olivais são um bairro muito completo. No outro dia num passeio pelo bairro deparei com este veículo estranho


Depois coloquei a imagem no Google Imagens mas sem sucesso, apareceram-me uns automóveis em tons de preto e azul mas nada que se parecesse com isto. Dei então uma ajuda ao Google dizendo que se tratava de um Renault e já apareceram imagens e sites designadamente este bastante informativo da Wikipédia.

Trata-se dum Renault Twizy Z.E. (como se constata na imagem...), provavelmente um "Urban", veículo eléctrico citadino, tratando-ne de um micro-carro de pequenas séries. Achei graça à versão "Concept car" muito mais espampanante, nesta imagem que trouxe também da Wikipédia


quarta-feira, 2 de Abril de 2014

A Europa não é velha, é antiga


Gostei muito desta página nº 66, do livro "A velha Europa e a nossa" do historiador Jacques Le Goff recentemente falecido, publicada pela Shyznogud aqui.



Gosto muito desta frase "A Europa soube distinguir entre uma pobreza voluntária, que é uma virtude, e uma pobreza imposta, que é uma infelicidade".

E também rejeito aplicar este adjectivo "velha" à Europa, que é apenas antiga, não está às portas da morte, com uma longa história, que pode ser uma força para a frente, ao mostrar-nos que é possível mudar, que existem alternativas aos rumos existentes, como disse há tempos aqui.

segunda-feira, 31 de Março de 2014

Musgo sobre Ulmeiros


Vou seguindo algumas notícias sobre a actualidade política deste governo que perdeu há muito tempo a minha confiança. Uma vez que, de uma forma geral, ouço as críticas que eu faria bem como sugestões de alternativa ao rumo actual, limito-me a aguardar pela mudança do governo, pois deste espero uma contribuição muito modesta para a solução dos problemas do país.

Agora que regressou a chuva, depois da Primavera nos ter trazido uns poucos dias de sol, reparei no brilho verde aveludado do musgo sobre os troncos de dois ulmeiros dos Olivais Sul, duas das poucas árvores desta espécie que resistiram a uma praga de origem holandesa que fez uma grande razia na segunda metade do século XX. Ainda pensei em aumentar a intensidade do verde na imagem mas depois deixei-a com o equilíbrio de cores definido pelo telemóvel.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Árvores floridas nos Olivais Sul



A Primavera continua a dar ares da sua graça, estas fotos foram tiradas em 16/Mar/2014, ligeiramente antes do equinócio. Fizeram uns dias muito bonitos, depois o tempo arrefeceu outra vez. Não sei o nome destas árvores, depois das flores aparecem as folhas de cor vermelho escura.

Hesitei na escolha da sequência das imagens, primeiro vem esta vertical em que predomina o branco sobre azul



a seguir destaco umas poucas flores para se verem melhor




depois mostro uma cena densa de flores



e finalizo com uma alameda florida