2015-08-27

Algarve em Agosto


Em princípio dever-se-ia evitar o Algarve em Agosto, as infra-estruturas estão todas no seu pico de utilização, o que provoca degradação dificilmente evitável na qualidade dos serviços.

Mas também não é por acaso que tanta gente vai de férias em Agosto e muitas vezes é difícil evitar este período.

Este ano o tempo tem estado atípico. Uma pessoa espera um céu azul imaculado sem sinal de nuvens, o que tem sido raro. Porém ontem de manhã estava uma atmosfera límpida pelo que não resisti a tirar esta foto




mesmo a praia ao pé ainda tinha pouca gente se bem que ainda só fossem 08:40




e Lagos via-se com a nitidez dos dias de Setembro que, pensando bem, estão mesmo a chegar





2015-08-24

Arte decorativa


Gostei desta natureza morta que vi num poster numa casa que aluguei, de composição minimalista, contendo hiperbolóides de revolução. Gostei das sombras que me lembraram os desenhos à vista no liceu, dos reflexos, da delicadeza dos vimes de salgueiro.

Depois fui à procura da autora, a partir da assinatura de Karin v.d. Valk, e constatei pouca variedade nos numerosos posters dela que estavam à venda na internet.

Mas continuei a gostar desta imagem.




2015-08-20

Solitaire


Trata-se de um passatempo clássico que resolvi no princípio dos anos 70 do século XX.

Passados uns tempos fiquei com uma ligeira apreensão se ainda conseguiria resolver este passatempo mas nunca tive paciência para escrever notas sobre o assunto, ao contrário do Cubo de Rubik que já referi noutro post.

Agora fiz uma apresentação em Power-Point com animação, converti-a a seguir para video e fiz depois o carregamento para o Youtube que mostro a seguir, dura 72 segundos.



Não sei se existem outras formas de resolver este passatempo que sejam variantes não triviais deste método, existem pequenas variações possiveis na ordem de alguns dos movimentos aqui indicados.


2015-08-18

Pentágonos que preenchem o plano



As cracas do post anterior conseguiram preencher uma superfície aproximadamente plana com formas quase poligonais.

Quando se pretende preencher um plano com formas idênticas as soluções com polígonos regulares são 3: com triângulos, com quadrados e com hexágonos. Modificando uma das escalas, do eixo dos XX ou do eixo dos YY, obtêm-se também figuras que podem preencher o plano transformando, por exemplo, quadrados em rectângulos. Outras transformações ligeiramente mais complicadas mas também triviais consistem um transformar, por exemplo, um quadrado num losango e este num paralelogramo.

Em relação aos pentágonos existiam até este mês 14 classes conhecidas de pentágonos irrregulares que conseguiam preencher o plano. Durante 30 anos não se descobrira mais nenhuma, tendo agora sido descoberta a 15ª, conforme relatam no zap.aeiou e no Guardian.

Esta é a versão colorida mostrada no Guardian mas os pentágonos têm  todos a mesma forma:

 

Na wikipédia tem já (a velocidade de actualização da wikipédia é imbatível) um artigo com a colecção dos 15 tipos de pentágonos de que mostro a imagem:



É óbvio que o 3º padrão corresponde à obtenção de um hexágono com 3 pentágonos, fazendo-se o enchimento depois com os hexágonos, fenómeno semelhante se passa com o 5º mas embora a malha seja hexagonal os hexágonos não aparecem de forma explícita. A última parece bastante irregular, certamente isso pesou na lentidão da sua descoberta.

Gostei muito da 5ª que é abordada de forma mais detalhada na wikipédia que lhe chama Floret pentagonal tiling e de que mostro uma possível coloração destacando simetrias existentes:



 termino com este pentágono não convexo intitulado esfinge, referido também na Wikipédia

 



2015-08-13

Cracas sobre Sienito de Monchique


Ontem ao fim da tarde, passeando no pontão da Praia da Rocha, gostei de ver este conjunto de cracas, fazendo lembrar um trabalho de crochet, sobre uma das pedras que protege o pontão e que veio da serra de Monchique.




Quando eu era pequeno diziam-me que as pedras que extraíam numa grande pedreira da serra de Monchique eram “uma espécie de granito” mas, enquanto este tinha quartzo, feldspato e mica a pedra de Monchique tinha apenas o quartzo e o feldspato, faltando-lhe a mica. Podem ver na wikipédia que a rocha de Monchique se chama Sienito sendo de cor cinzenta e é por isso que tendo a foto sido tirada a cores acaba por parecer a preto-e-branco. Desta vez a foto tem 2048 x 1536 pixels.

Existem muitas espécies de cracas, a presença destes animais sobre as pedras na zona intertidal (afectada pelas marés) acaba quase por definir até onde a maré chega. São desagradáveis ao provocar arranhões a quem roça o corpo por eles, são vantajosos para pessoas calçadas pois evitam que escorreguem nas rochas.

A sua aderência aos cascos dos barcos causa problemas de maior resistência à deslocação do barco, tendo que ser periodicamente eliminados.

As cracas pertencem à classe Cirripedia cujo nome comum em inglês é “Barnacle”, dos quais existem cerca de 1200 espécies conhecidas.

Na foto acima parece-me que as cracas estão todas mortas. No artigo que referi (https://en.wikipedia.org/wiki/Barnacle ) podem-se ver fotos de cracas vivas, no centro de cada animal não têm um buraco, como na foto.

Achei graça a os ingleses chamarem “Gooseneck barnacles” ao que chamamos percebes.

Tirei esta imagem daqui:



e estoutra daqui:


2015-08-08

Uma conchinha comum (Acanthocardia)


Em Agosto estou a ir à praia todos os dias, seria melhor em meses adjacentes mas existem muitas razões para tanta gente tirar férias em Agosto.

Desde a mais tenra infância que vejo estas conchas nas areias das praias do Algarve. desta vez apanhei uma muito pequena e fotografei-a ao pé duma moedinha de 1 cêntimo



A seguir seleccionei apenas a concha e obtive a imagem seguinte



Depois peguei na imagem, coloquei-a no Google Imagens e apareceu-me logo o nome Acanthocardia seguido doutro nome que já não me lembro.

Na wikipédia e noutros sítios têm artigos sobre este bivalve, parece que é comestível mas apenas vi referência a uma receita da Croácia. Na realidade esta concha intrigava-me por ser frequente vê-la na areia molhada das praias e nunca a ter visto num prato de casa particular ou restaurante. Como mnemónica para o nome temos as folhas de acanto que serviam de motivo de decoração dos capitéis das colunas Coríntias e o cardia de coração.

Na juventude faziam-se cinzeiros com estas conchas mas com cerca de 5 cm de diâmetro em vez do centímetro e meio deste pequeno exemplar. Colavam 3 conchas deste tipo com cola universal transparente e depois colavam uma 4ª concha que iria servir de base do cinzeiro. Colavam parte de conchas de lingueirão em cada uma das 3 conchas, para ter um descanso para os cigarros. Há uma ano vi um cinzeiro desse tipo numa feira de artesanato em Olhão ou  em Tavira.

Deixo imagem da mesma concha, agora de perfil



2015-08-04

Folhas verdes, Daltonismo e a Natureza Humana


Ontem ao almoço gostei muito de ver estes vários tons de verde (alguns a fugir para o amarelo) dumas árvores que têm demorado muito tempo a dar sombra que se veja na Av. Tomás Cabreira na Praia da Rocha.




Tenho um fraquinho por folhas de plantas iluminadas à contra-luz pelo sol mas um dia destes, ao ver imagens dum livro sobre o Jardim da Gulbenkian, constatei que não estou sózinho nesta minha preferência.

Não consegui regular bem o telemóvel que não conseguiu focar bem tanta folha, faz de conta que é uma imagem género quadro impressionista.

E achei que os hibiscos vermelhos que se vêem ao fundo contribuíam para o tom alegre da imagem.

Já tinha decidido publicá-la quando um meu amigo, que tem uma percepção das cores que difere em alguns aspectos da percepção mais comum entre os seres humanos, me enviou uma ligação para este vídeo sobre daltonismo e sobre uns óculos (Enchroma) que alegadamente permitem ultrapassar algumas situações




e fiquei a pensar que muitas vezes não reparamos na riqueza das percepções que estão ao nosso dispor.

Depois ainda vi mais este sobre as nossas percepções, apresentando problemas clássicos da filosofia




e concluindo que uma característica importante dos seres humanos é acreditar que os outros seres humanos podem saber coisas que o próprio não sabe e que vale a pena fazer-lhes perguntas!

Até agora não encontraram esta característica nos outros animais

2015-07-30

X - Ball


Falei em tempos do "Ball of Whacks", um conjunto de 30 pirâmides magnetizadas que pode assumir muitas formas. Entretanto o autor, como nos filmes, fez uma sequela, um novo gadget também com 30 peças vermelhas magnetizadas mas desta vez em forma de X. A sua forma mais canónica é esta


que pode ser dividida numa "base" e numa "tampa" para acolher uma "Ball of Whacks" acima referida


mostro agora as 30 peças do puzzle



que podem ser organizadas em estruturas quase planas como as seguintes




Os meus netos gostam mais de separar as peças do que de as unir, há quem diga que é difícil resistir ao vermelho Ferrari, mas no outro dia um dos netos mostrou gosto pela simetria, nesta composição também quase plana



Tenho feito mais algumas variações enquanto vejo o telejornal



ou uma reconstrução depois duma destruição


e finalizo com uma taça que me parece elegante





2015-07-28

Estar à sombra numa bouça - Rossio do Levante


Nasci no Porto (em Ermesinde) onde vivi até aos 10 anos. Ficou-me a recordação da palavra "Bouça", um pequeno conjunto de árvores ou um terreno inculto, onde as árvores poderiam ter assumido algum protagonismo. O ditongo "ou" lá no norte tem uma pronúncia parecida com "âu" com o "o" a fugir para um "a" mudo, mas a palavra tem pouco uso cá no Sul e é raro pensar nela.

Há uns tempos, ao ver esta mini-floresta no centro duma  rotunda com pouco movimento no Parque das Nações chamada "Rossio do Levante"



lembrei-me da palavra "bouça". Lembrei-me também da árvore solitária que referi aqui, este conjunto de árvores (que parecem ser plátanos) seria mais "natural" se não estivessem tão alinhados. Gosto do conjunto embora, dado a presença da rotunda que as circunda não seja sítio apetecível para pique-niques. Lisboa não é o Irão, os lisboetas em vez de se abrigarem do sol à sombra de uma árvore preferem na sua maioria ir apanhar sol para as praias que circundam a cidade.

Vi umas fotografias muito antigas da Praça do Comércio onde existiam árvores de pequeno porte. Acho que a praça ficaria melhor com umas árvores a possibilitar um descanso à sombra. As árvores do Rossio "propriamente dito" na Baixa também me parecem em número insuficiente.


2015-07-22

Tílias em flor - 3


Em 28/Mai deste ano publiquei um primeiro post sobre tílias em flor, em que mostrava as copas de algumas tílias com umas manchas brancas em contraste com o verde das folhas. Suspeito que o branco é de folhas muito jovens, visto que as flores têm um tom amarelado, como se pode ver neste segundo post sobre tílias em flor.

A imagem que mostro a seguir é um detalhe da imagem mostrada no post de 28/Mai




2015-07-16

Ir pela sombra - 3 (na Av. Liberdade)


Estes últimos desenvolvimentos da crise da Grécia/Europa parecem-me surreais, com um referendo surpresa, uma reunião de 17 ou 19 horas de chefes de governo de países europeus, um acordo aparentemente mais exigente do que o que estivera em cima da mesa antes do referendo, que tem uma claúsula que refere "...milk and bakeries..." (leitarias e padarias?) na página 3, com referência a um fundo de 50.000 milhões de euros noutra parte das 7 páginas, tendo este acordo sido aprovado um pouco depois do fim de 15/Jul no parlamento grego, por parte do Syriza e sobretudo pela oposição.

Talvez os negociadores tenham apanhado Sol na cabeça, motivo pelo qual continuo a recomendar ir pela sombra.

No princípio de Junho deste ano, por volta das 11 horas de uma manhã ensolarada, depois de umas análises de rotina, andei um bocadinho pela avenida da Liberdade, no lado nascente e gostei do que vi.

Primeiro esta copa de arvoredo deixando ver bocadinhos de céu azul um pouco mais profundo do que o que ficou na foto



depois gostei deste prédio em que cortei o rés-do-chão, porque tinha uma carrinha vermelha a perturbar a vista. Nas janelas reflectem-se as copas das árvores, desde que vi as janelas da Maluda estou sempre atento ao que reflectem os vidros das janelas




a seguir apreciei o passeio com a nota destoante do pequeno armário talvez do sistema de semáforos com uns tantos graffitis, feios mas discretos. Lembrei-me que em Olhão as pessoas iam passear à noite no Verão na Av. da República e sentavam-se nos bancos para ver quem passava e ir tendo umas conversinhas. Essa parte convivial falta agora aqui, no que já se chamou o Passeio Público. Foi-se o Público, ficou um Passeio, bonito mas pouco habitado.



também gostei deste hotel que, pelo pequeno tamanho deverá ser "de charme" só ao olhar para a foto reparei que tem 5 estrelas



Também gostei do ar arrumado dos permutadores de calor dos ares condicionados deste prédio que foi certamente objecto de uma recuperação profunda. Estes permutadores alinhados fizeram-me lembrar um prédio de Xangai que mostrei aqui


finalmente gostei deste pormenor duma passagem entre a Avenida da Liberdade e a Rua de S.José, com uma vegetação tropical, luxuriante mas ao mesmo tempo contida.



2015-07-11

Ir pela sombra - 2


Em locais que podem ficar muito quentes os habitantes desenvolveram técnicas arquitectónicas para minimizar os efeitos do sol intenso, numa época em que não existia ar condicionado. Os mercados situam-se em ruas estreitas e cobertas para que as compras e vendas se possam fazer sempre à sombra.

Neste caso trata-se duma rua de lojas na medina de Marraquexe em Marrocos, numa foto tirada pelo Miguel Duvisón, já referido aqui, em que um dos protagonistas parece um fantasma de albornoz branco





2015-07-08

Ir pela sombra


Ainda não me habituei aos carinhosos conselhos que agora surgem nos meios de comunicação social sobre cuidados a ter quando chega o Verão e faz muito calor, do género "não se esqueça de ingerir muitos líquidos", "proteja-se do Sol", etc.

Antigamente eram as mães, os pais, ou outras pessoas da família que davam esse tipo de conselhos mas, com a dispersão geográfica das famílias cada vez mais comum, estes avisos poderão ter alguma utilidade.

Para a mim estes conselhos são dispensáveis pois quando está calor não gosto de andar ao Sol, excepto na praia à beira-mar e aí com chapéu de aba larga e túnica de algodão branco a proteger a minha pele dos perigosos raios solares.

Quando estou em Lisboa quase nunca vou à praia pois quando está bom tempo existem enormes engarrafamentos, apenas evitáveis saindo a horas excessivamente cedo para os meus hábitos. Gostando contudo da presença da água durante o passeio quando a manhã se  aproxima do fim, existe agora uma possibilidade muito interessante na cidade:




Trata-se da alameda de pinheiros à beira-Tejo, situada ao longo do jardim Garcia da Orta no Parque das Nações, acessível até por metropolitano, a que se vê nesta imagem numa fase do percurso com bastante sol e alguma sombra




ou nesta fase posterior, um pouco mais sombria. Em Belém não existe protecção de sombra à beira-rio.



2015-07-02

Grécia -4, o Mar está de pernas para o ar


Fiquei muito desapontado nesta recta final (depois do Domingo 28/Jun) com a sugestão pelo Syriza de negociações enquanto não chega o referendo. O pano caiu como dizem aqui.

A Merkel neste caso tem razão. Não faz sentido negociar antes da realização do referendo.

E não me esqueço que durante o tempo do Salazar em Portugal toda a esquerda era unânime na condenação dos referendos como forma populista e direitista de consultar a população. O próprio Tsipras falou contra referendos há pouco tempo. E que é difícil e muito limitador responder à maioria das perguntas relevantes com um simples "sim" ou "não".

Junto a foto de um bocadinho do Mar grego, a mesma imagem com que comecei este blogue, mas desta vez de pernas para o ar:




2015-06-29

Grécia-3 e Golfinhos



Este é o 3º post que escrevo a propósito da crise europeia da Grécia, escrevi o primeiro em 2015-02-04, o segundo em 2015-02-27.

O conjunto de credores da Grécia inspira-me pouca confiança, é uma cena clássica realizar empréstimos enormes à classe dominante de um país que tem dificuldades em escolher governantes decentes e explorar depois o povo desse país, acusando-o de ter vivido acima das suas possibilidades. Isso aconteceu com o Irão que tinha petróleo, com o Egipto que tinha o Canal do Suez, com o Brasil que tinha imensas riquezas, com a Argentina e outros países da América do Sul, nestes casos com a agravante dos governantes corruptos da América do Sul serem ajudados pelos EUA a conquistar o poder através de golpes militares e a manterem-se no poder através de formação em técnicas de contra-subversão incluindo tortura.

Neste caso grego faz-me impressão que o ministro das finanças alemão tenha dito que era preciso manter o rumo numa situação em que era patente que os resultados obtidos pelas receitas aplicadas estavam longe do que tinha sido previsto. Inspira-me desconfiança a aparente confiança dos credores da troika no primeiro-ministro de Portugal, que mentiu vezes sem conta aos Portugueses, parece que precisam de governantes mentirosos nos países sob intervenção. Vejo sinais preocupantes no desconcerto, tantas vezes referido, entre o que diz a Srª Lagarde nos fora internacionais e o que dizem os seus funcionários quando visitam Portugal. E não me conformo com a persistência do superavit alemão, como se pudesse existir um mundo em que todos os países fossem superavitários e fosse razoável tomar medidas apenas contra os que têm deficits.

Aguardo com curiosidade e bastante apreensão os próximos capítulos desta crise europeia sobre as finanças gregas, tendo a sensação que muita gente da política e dos media me vai tentar enganar num futuro próximo.

Li que estes bonitos golfinhos, existentes num fresco reconstruído do palácio de Cnossos em Creta, devem mais à imaginação do arquitecto Piet de Jong, que os pintou na década de vinte do século passado, do que à evidência de os antigos cretenses os terem pintado assim.




Tenho grande simpatia e admiração pelos golfinhos, vi uma vez um espectáculo numa piscina onde me impressionou a forma como mergulhavam sem causar salpicos de água e aprecio as histórias em que eles salvaram tantos seres humanos de afogamentos iminentes.

Gostei imenso deste filminho que vi no 2 Dedos de Conversa




onde uma rapariga faz uma exibição para “entreter” um golfinho que estava a passar por ali.

Apreciei esta inversão de papéis, a maior parte das vezes são os golfinhos que “entretêm” os seres humanos…

2015-06-25

Impostos: é impossível aumentá-los em Portugal?



A propósito da recente intervenção do ministro da saúde Paulo Macedo sobre a eventualidade de se precisar de aumentar impostos para fazer face aos aumentos de gastos com o Sistema Nacional de Saúde lembrei-me que em tempos enviei esta tabela


retirada da Eurostat newsrelease 92/2014 - 16 June 2014 para várias pessoas que não me souberam explicar como é que estando nós abaixo da média europeia se diz que não podemos suportar mais impostos.


Confesso que não tenho entusiasmo por aumentos de impostos, falta de entusiasmo que se transforma em grande desaprovação quando vejo o dinheiro dos contribuintes gasto de forma ineficiente (não contribuindo para os objectivos declarados) ou quando gasto em actividades que considero não merecerem esse dinheiro. Contudo estes gastos ineficientes, ou em áreas que considero que não merecem, existem certamente nos outros países.

Assim relembro uma pequena notícia do jornal Expresso publicada em 23-05-2015

 

que deve ter tido origem no documento “Estatísticas das receitas fiscais de 2014 do INE” de onde retirei este gráfico:



Fica então a questão: se a nossa média é inferior à média europeia porque será que não podemos aguentar mais impostos?


2015-06-22

Grécia, outra perspectiva


Volto a referir este site, The Press Project – Greek News for a Global Audience onde são publicadas notícias diferentes das do pensamento quase único que domina a imprensa "ocidental".

Colocando na caixa de pesquisa no canto superior esquerdo deste blogue a palavra "Grécia" aparecem bastantes posts sobre esse país.

2015-06-17

Zhou Yongkang, a corrupção, os penteados e os cabelos pintados dos chineses


Esta foto de um membro do PCC (Partido Comunista Chinês) durante um congresso do partido chamou-me a atenção, ainda me interrogo porquê



Tratava-se de uma notícia sobre Zhou Yongkang, importante membro do PCC, antigo chefe dos serviços de informação, que se reformou em Nov/2012 e que estava a ser alvo de uma investigação judicial.

A imagem confirma uma conjectura que eu fizera sobre esta imagem, de que se tratava de uma reunião do PCC



as fardas das assistentes são as mesmas e este cuidado na colocação das chávenas é um indício de que se trata de uma reunião muito importante.

Fiquei na dúvida se o semblante de preocupação/desagrado se deveria à “invasão do seu território” pela assistente ou a motivo de outra natureza. Esta outra foto, em que a mesma assistente continua de forma diligente o seu trabalho



permanecendo Zhou Yongkang com o semblante preocupado leva-me a pensar que é mais provável que a preocupação fosse outra. Interrogo-me então qual o sentido de destacar uma foto com um elemento de distracção, a assistente em equilíbrio quase instável colocando a chávena de chá com a mão esquerda e segurando na direita o bule termos.

Reparo também no formalismo do penteado desta assistente mas também na uniformidade dos penteados de todas elas, como se constata na 2ª foto deste post.

E noutras imagens onde se vêem mais delegados noto que há poucas mulheres sentadas e poucos ou mesmo nenhuns homens a servir chá aos delegados. Também tenho notado em Portugal a ausência de homens a desempenhar a função de assistentes de reuniões.

No Ocidente é costume dizer que na China existe imensa corrupção, como aliás em todos os regimes comunistas. Este género de afirmação acaba por ser um truísmo dado que, como “normalmente” só se considera existir corrupção quando os interesses do Estado são prejudicados, é mais que natural que com este conceito de corrupção em países em que o Estado esteja envolvido em grandes áreas da economia exista mais corrupção. Em países onde a população é prejudicada em proporções semelhantes por actuações de entidades privadas trata-se simplesmente das leis do mercado cujas imperfeições não podem ser completamente eliminadas a não ser, claro está, reduzindo a legislação e os regulamentos à sua expressão mais simples ou mesmo à completa ausência.

Admito que a existência de uma imprensa dita livre poderá minorar os fenómenos de corrupção, quanto mais não seja porque, embora  essa imprensa tenha proprietários com interesses não forçosamente altruístas, os conflitos de interesses entre os vários grupos económicos que disputam o poder e os seus favores levantam por vezes a ponta do véu sobre alguns temas que num sistema mais centralizado como o chinês poderiam nunca ver a luz do dia.

O julgamento concluiu agora, como relatado na BBC onde fui buscar esta imagem de um filme da CCTV (China Central TeleVision), tendo Zhou Yongkang sido condenado a prisão perpétua.



Ao ver esta imagem não deixei de me surpreender com o branqueamento acelerado dos cabelos de Zhou entre 2012 e agora, talvez ainda não tenham passado 3 anos. Da primeira vez que fui a Macau, em 1990, fiquei surpreendido quando me disseram que os chineses mais idosos tinham o hábito de pintar o cabelo para parecerem menos velhos. Nessa altura, no Ocidente, só as mulheres pintavam o cabelo e ainda me lembro duma anedota que se contava nos anos 60 ou 70 de uma senhora perguntar ao médico se pintar o cabelo faria mal aos miolos a quem o médico teria respondido que não pois quem pintava os cabelos não tinha miolos.

Mesmo assim, dizem que os chineses têm muito respeito pela sabedoria que às vezes aparece com a idade, pelo que não faria sentido estarem a dissimular a vantagem de serem idosos. Ou então essa sabedoria será boa para dar conselhos mas já não tão ideal para funções executivas.

2015-06-13

Iluminação pública, agora com LEDs



Há muito tempo que existe iluminação pública, essencial para a vida citadina. Tendo nascido em 1949 fui testemunhando o uso sucessivo de diversas tecnologias em Lisboa e noutras cidades. No artigo em português da Wikipédia tem alguma informação mas, como habitualmente, a versão inglesa é muito mais completa.

Acho que me lembro de candeeiros com lâmpadas incandescentes iluminando fracamente as ruas, substituídos na Avenida Almirante Reis por lâmpadas fluorescentes tubulares, suspensas no meio da avenida por cabos (presumo que) fixados às paredes dos prédios.

A estas sucederam as lâmpadas de vapor de mercúrio, de uma luz branca muito intensa, que demoravam vários minutos a atingir a intensidade normal.

Depois apareceram as lâmpadas de vapor de sódio que, dada a característica monocromática da sua luz amarela, transformavam as várias cores numa triste sucessão de “cinzentos”. Ouvi até dizer que as pessoas que assistiam feridos nas ruas tinham dificuldade em localizar a presença e a origem das hemorragias, pois o sangue aparecia de cor preta.

As lâmpadas de sódio, cuja principal vantagem era a eficiência energética, foram substituídas por uma versão ainda à base de vapor de sódio mas com outros elementos adicionados para restituírem melhor as cores, se bem que continuando amareladas.

Nas aterragens nocturnas de avião, durante a migração do branco das lâmpadas de vapor de mercúrio para as de sódio, era engraçado ver alguns bairros ainda com lâmpadas de uma cor e outros com a outra, pois estas mudanças faziam-se progressivamente.

Agora que há bastantes anos já estava tudo amarelado parece que iremos regressar à luz branca, com a introdução das novas lâmpada com LEDs (Light Emmitting Diodes). Nos Olivais Sul já instalaram dois novos tipos de candeeiros, com uma luz branca agradável e intensa.

Por enquanto só vi candeeiros com uns 3 ou 4 metros de  altura para iluminar passeios longe de faixas de rodagem como este, que fotografei em Abr/2015


que mostro mais ampliado


Comparo aqui as intensidades luminosas de um candeeiro antigo à esquerda e do novo com LEDs à direita

  

Noutro dia com mais sol voltei a fotografar o mesmo candeeiro


Passados ums dias vi outro modelo de candeeiro, também nos Olivais Sul




Dada a flexibilidade desta nova tecnologia existem grandes possibilidades para os projectistas de candeeiros com LEDs.